Gharbzadegi

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Nao conheco os passos dessa estrada…

Faz muito tempo que eu nao escrevo aqui. Tenho escrito mais no meu novo blog em Ingles Translating Thoughts. Fica sempre tao dificil manter dois blogs. E fica mais dificil ainda deixar de escrever em ingles ja que sao tantas as pessoas da minha vida que nao falam portugues.

Eu tenho falado mais portugues do que nunca, pois depois de 11 anos morando fora, eu voltei. Voltei primeiro contra a vontade da minha “mente”. Quebrei meu pé na frente do Rio Mekong. Do lado da Tailandia vendo o Laos sorrir mais calmo ali do outro lado.

Quebrei meu pé e o povo do simbolico disse que era sinal para eu ficar quieta. Eu sai da beira do Mekong aos prantos. Nao de dor fisica do pe. Dor existencial, sendo arrancada da minha casinha la na beira do Mekong. Dor de quem nao sabe ha muito tempo o que esta fazendo.

Sai com lagrimas escorrendo pelo rosto e dizendo adeus e obrigada em Thai a todos os Thais que eu conheci. Ate ao sem casa que tinha virado meu amigo e que foi se despedir de mim.

Cheguei no Brasil revoltada. Aquelas revoltas tao dentro que vc nao consegue fazer nada com ela. Sentia uma vontade de nao viver. Sai Brasil a fora sem parar. De pé quebrado fui passar carnaval no Rio, com pé sem gesso fui escalar dois dias depois em Sao Bento, um mes depois estava conhecendo Brasilia, tomando Ayahuasca para procurar um sentindo metafisico para toda aquela dor.

Nada. Senti me abandonada por todos… os homens e os deuses. Todos aqueles onde havia depositado um resquício de fé e esperanca de salvacao pareciam ou ter me abandonado ou simplesmente inexistentes.

E o tempo foi passando. E eu quis fugir um milhao de vezes de dentro de mim. E um dia meio sem perceber passou. E finalmente quando eu parti, a partida ja nao se fazia mais necessaria. Minhas dores ficaram tao familiares que ja eram parte de mim, e nao um coisa contra a qual eu queria lutar.  E as minhas viagens se tornaram viagens de reencontros. E um dia, ha pouco menos de um mes, la da Palestina eu sabia bem que dessa vez meu corpo e a minha mente queriam voltar para casa.

Casa? Ate a palavra ja tinha um dia me assustado. Dessa vez nao. Eu queria. E eu queria que ela fosse em Portugues. E que eu estivesse nela por causa de mim. E que eu conhecesse as rugas das pessoas que estavam ao meu lado, e que eu significasse algo para essas novas geracoes que estavam chegand aqui.

Voltei asism,  impulsivamente, porque tudo na vida minha tem sido impulsivo. Ate essa semana. Agora to ficando menos impulsiva tbm.

Impulsividade seja talvez o direito só dos que nao tem nenhuma regra que os contenham. Aqueles que so escutam os gritos desesperados que vem de dentro.

Quando tive meu ultimo impulso eu comprei uma passagem para ir de Israel a India no mes passado. Minha grande amiga Israelense Michal, com quem viajei a India, e que pegou 18 horas de onibus quando eu quebrei o meu pe na Tailandia para me ver, ao saber da minha ultima impulsividade me mandou uma mensagem.

” Ju estou muito triste que vc vai embora. Mal nos vimos em Israel. Nos conversamos muito sobre essa sua visita e agora voce tem um impulso de fuga e compra uma passagem para ir amanha? Eu estou magoada pq essa sua impulsividade machuca.”

Eu li as palavras de Michal e senti uma dor. A dor que a minha impulsividade ja havia causado a tantos. Uma impulsividade que parece ser solucao e nunca eh. Senti uma enorme gratidao por ela assim doce e fortemente me conter. Coisa de amigo.Cancelei a passagem e fiquei com ela, na vida dela uma semana em Tel Aviv antes de vir ‘impulsivamente” ao Brasil.

Foi impulso porque foi rapido demais. No entanto, foi pensada. Era um impulso que me tentava fazer mais constante. Um impulso aceito pela Michal e por meus amigos vendo o tanto que eu precisava agora dessa constancia. E essa nova constancia que tenho vivido tem me aliviado fundamentalmente.

Escrever constantemente aqui talvez seja ainda dificil. No entanto, vou tentar.  To fazendo casa de mansinho. Meu quarto ja tem chao, ja tem piano, ja tem estante de livros com estorias dos lugares onde estive, ja tem quadro colorido, ja tem colcha e almofada que vieram da India, abajur do Oriente Medio. Ainda nao tem cama. Ainda nao chegou. Alguma hora ela chega, em alguns dias… e ai eu vou passar a dormir ate no mesmo lugar todas as noites.

Quando eu deitar assim, vendo todas essas coisinha tao pequenas mas que significam o mundo de onde eu vim eu vou ficar mais constante. Vou orestar mais atencao a voz dos outros e  quem sabe, finalmente, eu deixo de dar ouvidos aos impulsivos e comeco escutar o sussurar meio escondido da minha alma.