Cinema, Aspirinas e Urubus

A minha primeira aula de antropologia, foi sobre as populações indígenas da América do Sul. Peguei meio por acaso, pois tinha conhecido o professor que a ensinava andando pelo jardim da faculdade. Gostei tanto, que no semestre seguinte me inscrevi em mais duas aulas dele. Uma delas era uma aula sobre documentários e filmes etnográficos.

Eu sempre gostei de cinema europeu, de fellini, truffaut, dos iranianos por isso achei que seria natural para mim esta aula. Não foi, logo no primeiro filme,achei difícil me focar. Percebi que me faltava a atenção, talvez maturidade, ou mesmo paciência. E dessas coisas que acontecem por acaso, assim que eu desisti eu comecei a achar cada vez mais interessante.

Os detalhes. A humanidade, não aquele discurso de filme que quer ser cult, mas o olhar perdido num cinema verite, ou detalhe posto numa cena, que no meio da correria do dia a dia nem percebemos. Comecei a gostar cada vez mais destes filmes liricos, humanos. E paralelamente comecei a desgostar daquela formula simples do cinema (primeiro cada um na sua, depois conflito e resolução) onde todo mundo se transporta e sai resolvido.

Meio como a musica que tem formulas cada vez mais repetitivas e simples. Tenho a impressão que sempre gostamos dos momentos de reconhecimento. Estes também acontecem em qualquer sinfonia, ou sonata, demoram mais do que na musica moderna, os temas vem meio modificados ou em outro tom, mas da um prazer enorme quando eles reaparecem. Parece-me no entanto que as pessoas parecem ter cada vez menos paciência. Menos paciência para esperar esses momentos, que de esperados se tornam tao belos e poéticos.

Fui assistir um dia desses o cirque de soleil. Gostei, eh impressionante mas eh muito. Achei demais. O James Thieree com 5 pessoas criou um espetáculo para mim, bem mais bonito. Um espetáculo que ainda conseguimos nos relacionar com quase tudo do que ta acontecendo.

Este meu texto de pura divagação era para falar do filme Cinema, Aspirinas e Urubus, que eh lindo. Com momentos absolutamente plásticos e tocantes. Quando fui aluga-lo perguntei se o filme era bom. O moco me olhou serio e disse, ‘olha eh parado então eh meio chato ne ?’

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Bom tempo

Estou bem. A todos que mandaram energias, pensamentos muito obrigada! Estou bem. Me sinto bem assim como me senti todos os dias antes, todos os dias no hospital, e todos os dias depois. Quer dizer, tirando o intervalo de uma reação alérgica que tive a um remédio. irônico, eu que ja odeio remédios halopaticos, tive sintomas muito piores por causa do remédio do que da minha pequena, muito pequena, convulsão parcial.

Me sinto bem e eu já fui para Gonçalves no sul de Minas passar a pascoa. Subi montanha, fiz horas de Yoga, entrei em cachoeira gelada e ate assisti Indiana Jones. Alias como e racista aquele começo de filme. Com os índios todos terríveis, e o americano bom, professor de arqueologia indo ROUBAR artefatos!!! Enfim. Para não falar nos outros estereótipos.. alemães, árabes etc..

Em busca de bons tempos, coloco aqui um vídeo gravado em Marrakech por minha amiga Mounia. Um video de mim, enrolando tragicamente em Bom Tempo do Chico. Mas em busca de bons tempos, e na celebração da minha decisão de voltar a musica, eu celebrarei tbm os meus erros 🙂

A vida

Faz hoje exatamente 1 semana que eu sai do Hospital. Sai bem, e no dia seguinte já fui fazer Yoga. Achei que depois de 10 dias meio que numa cama, ia ficar cansada, mas não, foi tudo tranqüilo. Ainda bem.

Neste post no entanto, não quero falar nem em doença, nem no meu processo de cura, mas da vida. Sexta passada, acordei e vim tomar cafe da manha para descobrir que minha prima que tinha trabalhado um dia antes, e estado comigo na tarde anterior com sua barriga enorme, tinha ido para a maternidade. Fui tomada por uma emoção sem limites. Claro que eu já tinha estado perto de outras gravidas, ja tinha me emocionado antes, mas saber que a minha prima estava na maternidade me arrebatou.

Liguei la, não queria ser um incomodo, mas o marido dela, disse que eu podia ir para la se quisesse. Sai correndo, queria vê-la antes de ir para a cesária. A cesária tava marcada para as 9, cheguei as 8:58. Corri, e cheguei a tempo, mesmo pq ela so foi mesmo para a sala as 10:30.

Minha prima uma rocha, muito diferente de mim que estaria gritando e reclamando. ela não. austera, controlada, com contrações a cada 2 minutos, fazia as vezes umas caretas. não muitas. E de repente ela foi, com minha tia que queria muito assistir ao parto. E eu fiquei do lado do de fora, com o pai, calmo. mais que calmo que eu umas mil vezes. Ficamos aguardando, o que se sabe que vai dar certo, mas ansiosos mesmo assim.

E de repente fomos chamados, na porta e através do vidro, vimos, eu e o pai, aquelas 3 pequeninas deitadas de toquinha. E a vida ela eh arrebatadora, porque ali na sua forma mais frágil e forte sai derrubando tudo e todos pela frente.

Minha prima, que viveu sempre para ser discreta, teve num ano bissexto, no dia 29 de fevereiro três lindas meninas.