Pelo sul da Africa

Vesna está no sul da Africa. Falei com ela esses dias e ela já esta em Malawi. Vesna, minha amiga, de quem alias ja falei em muitos posts. Eslovena, que conheci na Ilha Grande no final da sua viagem de um ano pelo mundo. Meses depois, por sua recomendação, fui parar na Bolívia. Bolivia, que alias,continua sendo um dos lugares que mais gostei de conhecer. Quase um ano depois fui cumprir minha promessa feita em tom jocoso na Ilha grande, fui finalmente visita-la la na Eslovênia. Juntas fomos para Croacia, onde conheci sua tia Jelka de quem também tanto já falei.

Vesna, foi picada, pelo o que aqui chamam de travel bug. Depois de voltar para Europa trabalhou um pouco e foi para o Egito. Voltou, e foi para Israel e Jordânia. Ela que viajou sozinha India, China, indonésia, Egito achou a Jordânia difícil. Foi depois dessa viagem que nos encontramos aqui em Londres. Um ano depois de nosso primeiro encontro na Ilha Grande. Logo em seguida, fui visitá-la. Nunca vou me esquecer da estoria que ela contou durante a nossa viagem da Eslovênia a Croácia. Nos viajávamos de trem, e ela contava da rodoviária num vilarejo Jordano há alguns kms da fronteira de Israel. Rodoviária sem funcionários, sem avisos, sem horários e sem ônibus. So com um homem que queria levá-la de taxi ate Petra. Ela ficou. E esperou por 4 horas ate o ônibus, que ela nem sabia se existia, chegar.

Eu que dizia que Vesna já não podia mais me surpreender tive que morder minha língua quando há alguns meses recebo uma mensagem dela dizendo que ela ia a Africa. Para onde você vai?- pergunto. “Estou planejando entrar pelo Quênia e sair pela Africa Sul”. E como você vai do Quênia a Africa do Sul? “Por terra”. Sou tomada por uma grande emoção. Adoro viagens adoro ver o mundo. ” Com quem?” . “Sozinha.” Sou tomada por um misto de admiração e apreensão. Não digo nada, desejo boa sorte, pois eu sei que as estas alturas a decisão já foi tomada. Também sei que ela quase nunca vai estar sozinha, pois viajantes são assim, vão se juntando, se conhecendo pelo caminho, se reencontrando, e não importa quão cansativa, difícil tenha sido a viagem, assim que chegam em casa já começam a planejar a próxima saída.

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A Massai Branca

Assisti esses dias o filme a Massai Branca. Na hora eu até gostei um pouco, pois achei a fotografia muito bonita, e afinal de contas não é toda hora que temos a chance de ver um guerreiro Samburu. Durante o filme, no entanto, eu tive uma sensação constante de desconforto. Antes de escrever sobre ela, vou falar um pouco sobre a estória do filme.

O filme é baseado na estória real, de uma suíça, que ao passar ferias no Kenya, se apaixona por um guerreiro Samburu. Ela abandona o namorado ( que está com ela no Kenya), a loja que ela tem na suíça e vai atrás do tal guerreiro. Depois de pegar um monte de ônibus, ela vai parar num vilarejo onde ela encontra um padre italiano, e uma outra mulher européia. A mulher também casada com um Kenyano explica a ela que se o guerreiro quiser, ele a encontra, que no Kenya a mulher espera. E é o que ela faz: espera até o guerreiro ir buscá-la. Então, eventualmente ela muda para tribo do guerreiro, e engravida. No total fica uns dois anos la antes de voltar meio que fugida para Suiça.

Em poucas linhas, essa é a estória do filme. Como eu já disse antes, eu tive sentimentos mesclados ao assisti-lo. A fotografia é bonita, o Kenya é lindo, as cores, as pessoas, e a tribo dos Samburu são fascinantes. O filme é bem manipulador, pois força ao espectador constantemente a visão dessa suíça. Tudo bem, a estória é escrita por ela.

No entanto, alguns aspectos me incomodam, alguns deles são: primeiro que obviamente o que ela sentiu pelo cara que ela viu um segundo não foi amor mas atração sexual que alias termina em pouquíssimo tempo quando ela o conhece mas já está grávida. Ate ai, tudo bem, todo mundo sente. O que me deixa um pouco incomodada é essa noção bem ocidental que temos direito a experimentar tudo. Muitas vezes sem levar em consideração as consequências para os outros.

O filme mostra o lado dela, o que ela sofreu, como foi difícil, e de fato, foi. O que me deixa bem decepcionada é o pouco crédito que é dado a tribo, que a recebe de braços abertos. Uma européia que acha todos os costumes deles meio bárbaros, e que quer mudar a maneira das pessoas se relacionarem como se ela estivesse em Zurich.

Para culminar o descaso total, ela basicamente rouba a filha do pai, mente para ele dizendo que vai passar ferias na Suiça, e vai embora. É claro que eu não estou dizendo que ela tinha que ficar la, nem nada disso. Eu só acho, que o filme é uma grande ´romantização´ ( como deve ser o livro), de uma estória na verdade de uma mulher meio egoísta e impulsiva. Que não mediu as consequências dos seus atos na vida dos outros em nenhum momento. O filme, a retrata como a grande aventureira que foi la, se apaixonou, ficou, e quando não deu mais partiu. Ta certo, é o lado dela. Para mim, pareceu um pouco mais aquela velha estória do ocidental que tem direito de fazer o que quer, e ir embora quando não quer mais. O guerreiro Samburu, a tribo, e todas as pessoas pessoas que se abriram, que a aguentaram, que tiveram de certa forma um membro da familia ( a filha) roubado, são quem pagam o preço. São os que aliás não têm nem seu nome escrito na capa do livro ou filme. Em vez de Samburu, ela escolheu a palavra Massai, um tribo relacionada aos Samburu mais conhecida mas distinta.