Da viagem

A viagem foi super tranquila. Parei pela terceira vez na minha vida no aeroporto de Abu Dhabi. O aeroporto estava completamente diferente de quando eu la estive nao faz nem sequer um ano. Passeei pelo aeroporto e tive a sorte de presenciar um momento surreal. Um banheiro lotado de mulheres mais velhas muculmanas se lavando para rezar. Todas estavam vestidas de um vesitdo florido azul, com uma etiqueta onde eu pude ler que eram da indonesia, e eram absolutamente devotas. Eu fiquei ali parada completamente perplexa. Ao meu lado uma mulher ocidental mal-humorada resmungava o tempo todo.O aeroporto eh um lugar surreal, voce passa por pessoas de burqa, niqab, djelaba, veus todos coloridos e bordados, todos negros, saudi com aqueles panos quadriculados. Sala da reza, o bar( ?), a boots, burger king, e ate mesmo um radar tipo raio x que mostra as pessoas por dentro, funcionarios de mascara, uma guarda que parecia a guarda iraquiana do Lost. At’e um cara pareciddismo com o Sayid que me greeted dizendo ” Hello Love”.

Bangkok esta quientissimo. Sao 6 horas de diferenca para londres, e eu totalmente jet lagged capotei essa tarde. Depois sai para dar uma pequena volta. Queria ir num mercado para comprar roupas apropriadaspara voluntariar mas o transito era tal que resolvi ir no mercado Kao Sun que eh perto de onde estou. De volta ao meu ja encontrado lugar favorito para comer conheci algumas pessoas. Dentre elas Phillipe um suisso que esta viajando a un ano e meio e ainda viaja ate marco que vem. O cara ja esteve em tudo que eh lugar e tambem ja fez vipassana. Mostrou me basicamente tudo que eu precisava saber e ainda me apresentou a outros desses turistas mais locais. O turista local eh para mim gente que nem a Nathalie que viaja tanto, e por tantos lugares que eles vivem se reencontrando pelo mundo como se fosse a coisa mais natural. Ha tambem os turistas bem jovens que estao claramente no gap year e vem para a Tailandia um pais bem facil de vaijar para beber todas. Esse segundo tipo de turista mostra claramente como eu estou ficando velha 🙂

Ja vi uns mongezinhos laranjas na rua. Os Terevadhas que sao bem diferentes dos Tibetanos que eu conheci na India. Alias Eu recebi um sms to Lama Lobsang me mandando o email dele para eu mante-lo a par da minha viagem 🙂 Esses textos de agora serao assim corridos e com ainda mais erros do que eh de costume ja que o relogiozinho vai ticando enquanto eu escrevo. E os textos serao um pouco repetitivos pois eu tambem estou mandando e-mails em ingles. Acho que vou postar meus e-mails no meu blog em Ingles, quem quiser pode ir la ver. http://www.translatingthoughts.wordpress.com

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O Eterno no Efemero

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Eu estou ainda em casa. Ontem sai para caminhar pela primeira vez desde quinta. Hoje estou presa no meu quarto mas por outra razao: um filme. Ou melhor mais uma cena que esta sendo gravada na minha casa. A Alondra miha amiga e flarmate é atriz. E assistir a mesma cena ser gravada e re-gravada um milhao de vezes, me fez pensar em tantos dos meus amigos cineastas, atores e artistas em geral. Lembrei de como quando eu peguei o aviao para ir para o hospital no Brasil, sozinha meio que tendo crises parciais epileticas, abri a revista da Tam e dei de cara com o meu grande amigo Fellipe. Meu amigo que me convenceu a ir estudar em NY. O rosto dele tomava uma página inteira. Lia-se Fellipe Gamarano Barbosa um dos cineastas mais promissores do Brasil. eu olhei e sorri confortada.. confesso que nem tanto por ele ser um dos cineastas promissores do Brasil foi mais por ele estar ali protegendo o meu voo 🙂

E pensar no Fellipe me fez pensar na minha amiga Iraniana Sara com que estudei em NY e que acabou tambem indo fazer mestrado em cinema na Columbia. Ela, que tinha passado tres meses no Iran e que tinha ganhado uma bolsa da Fullbright para fazer um filme em Istanbul , acabara de me escrever me convidando para ir visita-la em Istanbul no ano que vem. Logo Istambul, uma das minhas cidade favoritas, e onde vive uma das minhas melhores amigas. E eu imediatamente comecei a fazer planos para apresenta-la a Nese. Mas a Nese ganhou uma outra bolsa para estudar 6 meses na Finlandia e 6 meses na Inglaterra…

Enfim, o fato é que visitando mentalmente esses meus amigos queridos eu resolvi entao dar uma olhada no site da Mounia ( clique aqui) minha amiga marroquina de quem tanto ja falei. O site tava com uma nova cara. E eu comecei a olhar os quadros e fui ficando muito tocada. Eu sei que eu ja escrevi aqui de como ver os quadros da Mounia me nocauteou quando eu cheguei no Marrocos. Como para mim o comeco da minha doença foi no simbolico. Entao ir la olhar o site dela sempre me toca. Me toca pelas cores, pelas memórias que evoca, porque é o jeito mais profundo de estar perto da minha amiga, de saber como ela esta, de ver o que ela cria. E eu olhei bem devagar…reconhecendo os antigos, o que ta na minha casa, efiquei totalmente perplexa com os novos. Meio que nocauteada mais uma vez. Li o que ela tinha escrito em frances, e em ingles. E uma frase me tocou particulamente “I search the eternal in the transitory and the glory in the chaotic.”

Olhei os novos quadros, muito viscerais para mim por alguma razao. E entao resolvi escrever para ela. Contei que tinha visto os quadros, que tinha me sentindo muito emocionada.Disse que existia algo de profundamente triste ali, alguma coisa de profundo que eu nao sabia colocar em palavras. E eis que eu recebo quase que imediatamente essa resposta.

“The work is quite recent im glad you like it, some of the paintings were painted last year and all the ones inside the human brain such as cranium(right brain/left brain dilemna), memoire red background and (B&W faces inside a big head)were very much inspired by what i felt when you told me about that thing you had …i had to explore and depict in a way the microscopic molecules and world that lies beneath the surface of each one of us, in other words u were my inspiration for that whole collection….love you and miss you infiniment
bisous”

E aqui estou eu sem palavras. E tendo que coloca-las para fora, e querendo dividir a emocao. A emocao que eu tinha sentindo sem saber direito porque faz agora total sentido. E o sentido me faz transbordar em lágrimas. A emocao de saber que esses amigos de alma que sao levados para longe por bolsas, e filmes, e gravacoes de cds, mas estão sempre perto de maneira profunda me faz de fato crer que o eterno esta no efemero.

De Cama

Continuo em Londres. E confesso que adiar minha viagem me deu uma alegria tremenda. Eu já não estava me sentindo muito bem na terça, mas quarta depois de finalmente terminar a minha prova, de trazer meus amigos para casa para celebrar e me despedir, de sentir aquele mistura de alivio de ter terminado a prova e tristeza de saber que muitas dessas pessoas eu não verei mais, eu meio que tive um breakdown. Quarta foi um dia e tanto, greve no metro de londres, a prova para qual eu não me sentia preparada, a tensão de ter que viajar no dia seguinte me sentindo assim: letárgica.

A festa aqui em casa foi boa. E ainda sim eu escapei no meio e fui tomar um banho esperando que o banho fosse fazer milagre. A Kica, minha amiga, me perguntou umas 3 vezes se eu estava feliz de estar indo viajar. Eu respondi que estava exausta todas as vezes que ela perguntou. E ela, eu sabia, estava percebendo que não eu NÃO estava feliz de ter que viajar no dia seguinte. E como sempre eu não queria confessar isso nem para ela, nem para mim mesma, nem para os meus amigos, nem para a minha família.

E eis que eu acordo no dia seguinte e decido que nao tem jeito, eu tenho que ir ao medico. É assim, deixei para o ultimo dia, o ultimo momento para ir ao medico e explicar que eu tava com provavelmente uma cistite, e que eu tava com dor no corpo e sei la mais o que. Fui atendida por um senhor de uns 80 anos.

Ele estava vestido todo arrumado, num blazer xadrez, um verdadeiro “gentleman”. Ele me perguntou o que eu sentia. eu expliquei e contei a ele que ia viajar naquela noite para a Sudeste Asiatico.

– Asia? O que voce vai fazer la?
– Vou voluntariar, e viajar.

Eu não sei como foi, eu só sei que ele foi tão doce e tão atencioso que eu acabei contando que tinha feito uma prova no dia anterior, que eu ia voluntariar num vilarejo rural e tudo mais que estava me acontecendo.

– My dear, that all sounds lovely, but I think you should postpone your trip!
– Why? Do you think I have something serious?

E ele me olhou com aquele jeito que só um senhor que já viu de tudo, que já viveu e viu a impaciência dos jovens, a futilidade da pressa e disse:

” No. You have nothing serious. But you should not put yourself in corners like that. So many things happening at the same time! Travelling is already a challenge when one is completely healthy, but feeling unwell is just going to be dreadful!”

E eu comecei a chorar. Nao sei direito porque. Talvez porque estar num hospital me lembre ter estado no hospital. Talvez de total alivio de alguém sensato me dizer “Nao viaje agora”, de nao ter que viajar, e chegar num outro continente e ter que ser simpática com pessoas com quem mal consigo me comunicar quando tudo que eu queria era ficar na cama.

Então ficou decidido ali: eu adiaria a viagem. Ele sugeriu um mês, mas eu ainda sou jovem e ainda não primo por tanta paciência. Adiei por duas semanas. Então agora embarco no 24 (Insh’alla como diria o Abdul).