Couchsurfing em Israel

Nossa, dessa vez eu realmente nao sei por onde comecar. Eu ainda nao voltei para casa. E por casa eu quero dizer Londres. Ainda que cada vez mais o sentido casa se perca de mim. Estou em Amsterda onde vim encontrar a minha avo que aos 86 anos terminava uma viagem pela Polonia, Lituania, Letonia, Estonia, Finlandia e Russia. Eu vim direto do aeroporto de Londres onde passei a noite toda depois de ter voltado de Israel. Sao tantas, mas tantas as emocoes misturadas, que as estorias, os cheiros os os gostos, os rostos se mesclam sem eu sabera onde, ao que e a quem pertencem.

Começou ja no avião. Em Londres, quando as enormes familias de Judeus Ortodoxos por se moverem tanto fizeram nosso voo atrasar mais de uma hora. Ouvi “amused” o piloto avisar take off depois de take off que se todos nao tivessem sentados nao poderiamos decolar. Ja no ar, levantaram. Os religiosos para rezar, as criancas para brincar, e outras pessoas para beber, conversar etc. Eu assisti a tudo isso encantada. Que lugar eh esse pensei?

Eu acho que eu vou precisar de muito tempo e muitos posts para digerir tudo que senti. Talvez seja sabio comecar por explicar duas coisas. A primeira eh que fui para Israel para descobrir se eu gostaria de la viver para fazer a minha pesquisa de doutorado. A segunda, foi que decidi, que a melhor maneira de descobrir isso seria couchsurfing.

Couch Surfing literalmente significa “surfar o sofa”. É uma comunidade, assim como facebook, mas de viajantes. Voce faz o seu perfil e coloca la alem de seus intereses e etc, se vc tem um sofa, ou uma cama, disponível para receber viajantes. Quem não tem cama, ou sofa, pode oferecer apenas um cafe, seu tempo. Assim, que vc entra no site, e procura por continente, pais, cidade pessoas para se encontrar ou para ficar na casa delas durante sua estadia.

Eu ja tinha participado um pouco do CS, mas nunca assim, o tempo todo. Eu resolvi que Couchsurfing seria o melhor jeito de eu descobri como eh morar em Israel pois entrar assim na vida de desconhecidos diz muito. E é claro, que eu escolhi meus anfitriões a dedo. Com alguns eu troco mensagens a meses. Outros foi meio que por acaso.

É o sonho de um antropologo, porque vc entra na casa de uma pessoa desconhecida e tem a chance de viver um pouco da vida dessa pessoa, de ver o lugar onde vc esta através dos olhos dessa pessoa. Tem é claro quem usa o CS so para não pagar hotel, e que quase não passa tempo com seus anfitriões. Não era o meu caso, eu estava menos interessada nos lugares do que nas pessoas. Então pode se dizer que eu passei muito ou quase todo o tempo com as pessoas que eu conheci, ou com seus amigos.

Isso tudo, não é sem preço é claro. Enquanto a humanidade que nos conecta se torna tão evidente, a arbitrariedade dos costumes, do valores não parece menos evidente. Então, assim na casa de pessoas que vivem num pais tão dividido por conflitos étnicos e religiosos eu senti muito. Senti demais. As vezes perdi o fôlego de tanto que eu senti.

Parti me sentindo enormemente grata a todos que me acolheram e que dividiram comigo um pouco das suas estórias, das suas experiências no exercito, na sociedade, nas suas viagens pelo mundo. E como sempre dizer olá para estranhos é fácil, adeus para pessoas que vc começa a amar é bem mais duro. Acima de tudo o mais difícil, é que me parece que para viver por lá eu vou precisar endurecer umas mil vezes. Enquanto que ao mesmo tempo eu fui tratada com uma afectuosidade, e calor raramente encontrado na Inglaterra.

Enfim, nos próximos posts eu vou tentar falar das pessoas que conheci. Das pessoas que me receberam. E das estórias que ouvi. Apaixonei-me pela escola Hand in Hand. E voltei convencida mais do que nunca que pluralidade é importante, e que tolerância é fundamental.

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