Sentimentos Viscerais Pouco Explicados

Eu não sou especialista em violência no rio. Aliás eu não sou especialista em quase nada que vá alem de sentimentos viscerais de situações que pareçam estranhamente fora de lugar. Quarta-feira passada houve um protesto estudantil no reino unido. Os estudantes de escolas e de muitas universidades se juntaram para protestar contra o aumento das “fees” que o governo está propondo. O novo ajuste propõe triplicar o valor das anuidades.

Eu não fui ao protesto… acompanhei o que NAO estava acontecendo pela mídia. Explico. A mídia começou a mostrar imagens de violência, de fogo, de brigas etc.. levando o povo a focar na suposta violência e não na razão do protesto. Como muitos amigos meus da LSE estavam la eu sabia que depois poderia ter acesso a um outro lado da estoria.

O que aconteceu foi que a policia prendeu por 9 horas 4 mil estudantes numa área aberta. A pratica que é chamada de “kettling” incitou um pouco de violência numa pequena minoria. A maioria dos estudantes que estava la percebeu que a van da policia abandonada vazia no meio de Whitehall so podia ser parte de algum plano.

E o plano era provavelmente esse: frustrar os estudantes…. desmotiva-los de participarem em outros protestos e de criar as imagens que a mídia queria ver. Foi assim, que minha amiga Aude reportou que enquanto eles congelavam de frio helicópteros da midia os sobrevoavam. Jornalistas entravam e saiam acompanhados de segurança na area onde estudantes estavam presos..sem água, banheiro, comida numa temperatura que caia.

David Graeber, intelectual americano, que foi despedido de Yale por suas visões politicas ( David é um anarquista), apanhou dos seguranças da SKY news. Eu que já participei de uma lecture onde Maurice Bloch o apresentou como sendo a mente mais brilhante da geração, eu que ja até tomei cha com David me enfureci. Eu não vi toda essa manipulação. No entanto acredito mais nos olhos dos meus colegas de doutorado, definitivamente pessoas não-violentas, as fotografias do jornal.

De fato, as pessoas colocaram fogo. De acordo com varias pessoas que eu ouvi, o fogo era para minimizar o frio que eles estavam passando. Quando um fogo ficou um pouco maior, os estudantes chamaram a policia e pediram ajuda. A policia negou ajuda e quem veio foi é claro a Midia! Mais uma foto para sua coleção.

Aude minha amiga, contou que por umas duas horas não tinha entendido o que estava acontecendo. Resolveu ir embora e quando chegou na barreira disse:

“Excuse- me I need to go home”

O policial olhou para ela e disse

” Eu nao posso deixar vc passar pois tenho medo que vc destrua a cidade.”

Aude ainda perplexa no dia seguinte quando eu a encontrei, me disse que nunca imaginou que isso pudesse acontecer na Europa. “Eu me senti tão manipulada! Realmente uma palhaçada!”

Perguntei a ela se ter ficado presa no frio 9 horas tinha feito com que ela resolvesse numca mais participar num protesto.

“You know. I think two thirds of the people will probably not come back. But those that will will be prepared. Next time I will bring a tent, and clothes, and food… and lets just play their game!”

Meus houseomates, australianos, que nao sao estudantes ficaram tão furiosos com a manipulação que decidriam que da proxima vez eles tambem participariam do protesto.

Eu não tenho a menor idéia do que realmente está acontecendo no rio de janeiro. Tenho certeza no entanto, uma certeza dessas viscerais pouco explicadas, que o que está acontecendo pouco tem a ver com o que esta sendo mostrado na midia. Quem está pagando o preço do que a mídia quer nos botar goela a baixo é sem duvida (como sempre) as pessoas mais fracas.

Podemos especular a quem interessa ter o povo convencido dessas narrativas “midiáticas”? Podemos especular sobre como as pessoas que estão lá, que viram o outro lado da estória vão reagir no dia seguinte… Eu que morava em NY quando 9/11 aconteceu, eu que inventei de fazer um doutorado sobre uma escola de coexistência entre Palestinos e Judeus Israelenses. Eu que fico tentando aprender mais sobre mecanismos cognitivos tenho mais um desses sentimentos viscerais pouco explicados: sinto que usar medo para manipular a opinião pública é eficaz, mas a longo prazo sem dúvida um desastre.

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Mais uma Volta ao Redor do Sol

Sexta feira foi meu aniversário, e eu todo ano escrevo aqui o quanto gosto de fazer aniversário. Eu paro e penso sempre nas voltas ao sol, e hoje em dia meus amigos ao inves de dizerem “Feliz Aniversário” me perguntam das tais volas 🙂 Sinal de que me conhecem bem, ou então de que leram meu blog 🙂 Esta vez portanto, nao vou falar do tanto de emoção que me causa esse pensamento tolo.

Meu aniversario dura mais do que o de muita gente, pois eu começo sempre recebendo mensagens de pessoas de outros fusos que começam a celebra-lo antes, e eu vou celebrando ate o ultimo meridiano. Comecei acordando bem cedo e indo para LSE para o meu seminario de cultura e cognicao. Um seminario so para nos os estranhos do ninho. Dan Sperber tinha vindo de Paris para substituir Maurice Bloch que esta nos EUA.

Aude, minha amiga francesa, que fez seu trabalho de campo na Mongolia chegou trazendo um bolo com vela para celebrar meu aniversario. Entao enquanto ouviamos Dan falar do seu ultimo paper sobre “epistemic vigilance”, enquanto faziamos perguntas e comentarios comiamos o bolo da Aude. Nao fazia nem sequer um mes, que ela tinha trazido um bolo para celebrar os 71 anos do Bloch. Bloch que é parente do Durkheim e do Mauss. Bloch que é um dos antropologos que eu mais admiro. Tão surreal é as vezes a vida.

De noite, fiz uma festa. Aquele tipo de festa que vc nao pode convidar todo mundo que quer porque a casa é pequena. E vai convidando todo amigo que encontra porque nao imagina celebrar o aniversario sem mais aquela pessoa. E como sempre essas pessoas vieram. De mundos totalmente diferentes. Os neurologistas, neurocientistas, os antropologos cognitivos, os sociais, os diplomatas, os yogis, os que nao tão nem ai para nada de academico, os que nao concebem a vida sem ciencia, os espirituais, os ateus, os agnosticos, os artistas, os esportistas, os cozinheiros, os tudo isso junto e misturado, e os nada disso.. E ali naquela misutra toda como sempre eu celebrei a vida… dançando, cantando, tocando, virando de ponta cabeca, fazendo acrobacias… e me surpreendendo sempre com a riqueza da diversidade. Tinha gente aqui na minha casa de todos os continentes. E o que eu gosto mais de tudo é observar essas pessoas que nao se conheciam antes, que vem de mundos tão distintos se misturarem, se encontrarem.

Todo o ano eu me animo para o meu aniversario. Todo o ano as pessoas se animam e me desejam feliz aniversario. Esse ano, pela primeira vez, muita gente que ta longe me perguntou “vc nao ta com medo, afinal voce ja esta chegando perto do 30? Ja ta ansiosa, angustiada etc etc etc?”

É um pensamento estranho esse. Nunca tinha me ocorrido que eu devia estar tensa, ansiosa, e que um numero externo tivesse um acesso secreto ao meu mundo interno. Acho que se eu tivesse medo seria de “nao chegar” aos 30, aos 40, aos 50, 60, 70, 80, e vendo a minha vó viajando o mundo aos 86… de nao chegar bem como ela aos 90!
Que paranoia é essa que aflige tantas pessoas num mundo que nos que temos acesso a tantas coisas, podemos viver muitas vezes tao bem e por tanto tempo ? Eu gosto das voltas ao sol, pq volta é movimento. E movimento é vida! E as voltas vão continuando.. nao sabemos bem até quando… mas enquanto elas vão continuando eu vou celebrando a vida.

Agridoce

Ta chegando a epoca. Aquela época meio agri-doce. A época que eu vou ao Brasil ( doce) para fazer minha anual ressonancia magnética (amargo:). Eu já escrevi aqui várias vezes do sentimento meio ambivalente que eu tenho quanto a máquina .Entao chega essa época do ano, e ainda que eu nao perceba eu vou ficando um pouco tensa.

Hoje foi um dia daqueles. Daqueles que tudo parece parar de fazer sentido. Porque mesmo que eu quero ir a Israel? Fazer o que? Aprender Hebraico para que? Doutorado por que?? Um sentimento que vem se prolongando. Por causa dele, resolvi procurar algum Israelense em Londres que me me ajudasse a entender melhor a cultura, a lingua etc. E que melhor maneira do que usar o meu adorado CouchSurfing? Fiz uma busca usando como critério pessoas que falassem Hebraico e que estivessem em Londres.

Foi um exercicio assim meio ao acaso. E não é que eu encontrei um” devout pacifist activist”. Escrevi imediatamente para ele, e dois dias depois fui encontra-lo. Como o mundo vai me parecendo cada vez menor ele nao so morava perto de mim, como trabalhava na LSE.

Nos encontramos num cafe meio “hip”, e começamos a conversar. Hoje em dia eu já nem acho mais estranho marcar encontros com totais desconhecidos. São segundos de desconhecimento e aí eu já me sinto a vontade. E ele me contou de toda sua experiencia. Muito distinta daquelas das pessoas que eu tinha conhecido em Israel. Ele, um refusenik ( Israelense que conscientemente escolhe nao fazer parte do exercito) escolheu ser preso por dois anos, como ato de resitencia civil.

Não, que ele tenha chegado me dizendo isso. Na verdade, ele nao acha isso nada demais. “Era a unica escolha que eu podia ter! Eu discordo do sistema, tenho amigos Palestinos, acho o que acontece por la uma tragédia, e o pior de tudo uma tragédia que poderia ser evitada!.” Meu novo amigo, trabalha com um Palestino na LSE num projeto chamado “New Approaches” e que busca desenvolver novas maneiras em lidar com o conflito. Para eles em vez de pensar no conflito como dois lados distintos, deviamos pensar nele como uma coisa unica…e que os fundamentalistas dos dois lados beneficiam da guerra. Ele que estudou “Global Governance” acredita que o conflito tem que ser “internacionalizado”. Pessoas que cometem crimes devem ser levada a Corte Internacional de Haia. ( Essa é um simplificação enorme do projeto deles).

Quando eu contei a um dos meus hosts em Israel que eu tinha conhecido um “Israeli Peace Activist”, ele quis saber o nome. Quando eu expliquei quem era, ele me contou que tinha lido seus artigos quando tinha acabado de entrar para o exercito. “Muito facil nao ir para guerra e ficar preso!” Foi seu comentário. “Voce acha que ele é um traidor?” perguntei “Nao. So acho que ele é fraco! Eu tenho os mesmos medos e a mesma “moral” que ele. Mas eu fui para o exercito!”

Como sempre eu nao insisto em nada. Eu ouço e fico sempre me perguntando…. “O que mesmo eu vou fazer por lá?”

Gal

Esses dias eu ouvi Maria, minha amiga Grega que também faz doutorado comigo explicar que nos (eu e ela) navegamos o mundo atraves dos nossos sentidos. O jovem, Philip, que aos 21 anos tbm está fazendo doutorado conosco explicou que nos precisavamos compreender que eles os jovens britanicos navegavam o mundo “through their own insecurity.” Nao era uma resposta que eu ou a Maria esperavamos ouvir do Philip. É engraçado como essas expressoes ditas meio ao acaso, as vezes ficam. Hoje li um Israelense explicando no Couch Surfing que ele se sente uma esponja ambulante.

E a combinação de me sentir uma esponja ambulante guiada por meus sentidos me fez pensar é claro em viajar. Talvez a estimulação mais forte a todos os meus sentidos tenha acontecido na India. No entanto, ainda que eu me lembre dos momentos sublimes, e desesperadores na India, a alguma coisa em Israel que penetrou ainda mais. Talvez seja o simples fato de que ali, o berço das religioes do livro, que é tao parte da nossa sociedade, eu conseguisse compreender a incompreensibilidade das coisas um pouco melhor. Nao sei. Só sei que eu tinha dito que aqui escreveria sobre a minha viagem, e por uma ou outra razão sempre evito.

Cheguei no aeroporto Ben Gurion, querendo ser esponja, querendo entender, ver, sentir tudo que ouvesse para sentir. Nao sei, se faria alguma diferenca eu nao querer. Parece-me que por la nao há jeito. É tudo ao extremo, é tudo forte, é tudo demais. Como tinha chegado tarde, achei melhor ir com o Mexicano que eu tinha conhecido no voo para o hostel. Quando liguei para dizer isso a Omri, meu primeiro host, ele disse que nao havia problema ser tarde, que ele tinha que trabalhar mas seu melhor amigo,Gal, que tinha vindo de Tel Aviv, me receberia em Jerusalem.

Entao, eu peguei a van, e fui parar en Nahlaot, um bairro muito antigo de Jerusalem. Assim que cheguei na esquina indicada, de mochila nas costas para minha primeira aventura como CS num lugar TOTALMENTE desconhecido, fiquei empolgada. “Nossa, eu estou em Jerusalem!!!”. Minutos depois apareceram Gal e Omri de moto. Eu nao sabia quem era quem. Disse um breve ola para Omri, que tinha que ir trabalhar, e fiquei com Gal.

Gal nunca tinha ouvido falar em Couch Surfing. Entao, eu que nunca tinha de fato couchsurfed tive um encontro especial. Nos dois ali descobrindo como é que isso acontece. Me levou para casa do Omri, e sentamos para conversar. Ele queria saber porque eu estava la, sobre o que seria minha pesquisa, porque Israel etc..

Como a minha pesquisa envolve Palestinos, e eu ainda nao sabia muito bem o que isso significava em Israel, eu comecei como sempre começo explicando que eu apesar de nao nacionalista, e de achar que fronteiras sao arbitrarias, e quanto mais eu viajo mais eu acho que nos somos parecidos no mundo todo, por ser do brasil nao estava muito acostumada com todas essas divisoes etnicas. Ele ouviu em silencio. Expliquei que acima de tudo eu era uma idealista, que eu esperava que pudessemos viver num mundo que passassemos por cima dessas diferenças meta-representacionais. Ele continuou me olhando em silencio. Expliquei, mecanismos cognitivos, teorias antropologicas, e a minha muito modesta opiniao. Ele continuou em silencio.

“Gal, are you offended? or bored? should I stop?”

Ele me olhou de um jeito so dele. E disse ” I am sad for Omri. Amanha quando ele te fizer essas perguntas vc vai dar a versao editada. Eu tive a sorte de ouvir tudo que voce tem para dizer. Eu passei a semana procurando uma coisa inspiradora. Um projeto, um livro. E agora eu sei, que era isso que eu precisava ouvir.”

Eu fiquei desconcertada. Nao esperava ouvir isso de um engenheiro israelense. E depois de toda essa introducao fui aprender tudo e mais um pouco sobre o Gal. Que voluntaria ensinando crianas pobres alem de trabalhar em um milhao de projetos diferentes. Quando era mais ou menos meia noite eu percebi que precisava comer. Saimos por Jerusalem. E eu que achava que tudo estaria fechado me surpreendi ao encontrar varios locais abertos. Ele escolheu um bar de tapas espanholas. Nao era exatamente o meu plano. Haveria muitos outros dias para comer a comida local. Entao ali, naquele bar eu conheci a vida noturna, pouco convencional de Israel. O casal gay ao meu lado, a ameixa preparada com queijo e molho oriental, o bartender que tinha viajado o mundo e queria me fazer beber alguma bebida de aniz que eu nao me lembro o nome. Ali na primeira noite eu conheci quem se tornaria o meu melhor amigo em Israel. O CS me daria muitos outros amigos, e muitas outras estorias inspiradoras. No entanto, o meu melhor amigo, foi ali, na primeira noite, por causa do CS mas sem nem nunca ter ouvido falar disso.

O Mundo de Kathleen

Resolvi que queria visitar Kathleen no Hospital. Liguei e ao perguntar se eu podia fazer uma visita, a enfermeira respondeu entusiasmada que sim e me explicou que Kathleen não tem família. Assim que lá cheguei, no Royal London Hospital, que de real não tem nada, fui me encaminhando a Wellington Ward onde me disseram que ela estava. Surpreendi- me com o fato de que as informações nesse hospital eram escritas tanto em Ingles como em Hindi. Eventualmente cheguei até a tal ala que é fechada. Fiquei me perguntando como seria que Katheen aos 89 anos teria escapado de la.

As enfermeiras ficaram surpresas com minha visita, e vieram perguntar detalhes do meu encontro com Kathleen. Onde é que eu a tinha encontrado, a que horas, como tinha percebido que ela estava perdida etc. Respondi a todas as perguntas e me surpreendi quando uma das enfermeiras me explicou que Kathleen era muito veloz 🙂

Levaram-me entao a ala onde ela estava. Cheguei bem na hora do jantar, e ela deitada na cama comia muito alegremente. Nas outras camas, as senhoras e senhores que la estavam, pareciam estar em bem pior situacao. Kathleen, apesar de estar na cama, e de ter soro na mão, parecia ótima.

Ela olhou para mim e nao me reconheceu. Perguntei a ela se ela sabia quem eu era. E ela disse que nao. “I am sorry. Have we met?”

Perguntei a ela, se ela se lembrava que tinha fugido do hospital na noite anterior. Ela disse que nao e num tom muito amigável continuou “Would you care to tell me about it ?”. De um jeito que é só dela, bem ingles, bem musicado. E eu contei. Ela ouviu tudo como quem ouve uma estoria de ficção. “Was it cold?”. “It was, I was very worried to find out if you were fine”. ” I am fine I suppose.”

“You know Kathleen, I remember your brithday! It is on the 22/12/1920. You will be 90 this year!”

Ela olhou para mim por um longo tempo. Como quem pensa na informacao. Como se a tivesse verificando em algum arquivo dentro do cérebro e de repente o encontrasse. Desmanchou-se num sorriso “my god, you have a very good memory!”. Contei a ela tudo que eu tinha aprendido sobre ela na noite anterior. De onde ela era, o nome do marido, que ela era costureria. E a cada informacao ela ficava mais encantada. Ali enquanto comia com muita elegancia o seu jantar.

Expliquei para ela que tinha vindo ve-la porque eu tinha prometido que viria, e que eu eu queria ver se ela estava bem. Foi uma conversa bem misteriosa. Dessas que faz voce ficar pensando… como será que o cerebro funciona. Havia em Kathleen uma mistura de infancia, com velhice. Uma docura, com cansaço. Um realismo concreto interligado pelo o onirico.

Depois de um longo tempo, expliquei para ela que eu tinha que ir. Ela fez umas perguntas e no final me agradeceu. “I don’t remember getting lost, but thank you for coming to see me.”

E eu saí de la com todos esses sentimentos misturados. Sentindo que ela estava bem. Curiosa querendo saber informações onde ela mora, com quem, quem traz comida etc e sentindo que por eu não ser da familiar eu não podia perguntar. Ou melhor, até perguntei mas as respostas de Kathleen são do passado, e as das enfermeiras são da burocracia. Senti uma mistura de tristeza por ela ser só, com alegria por ela já nem mais conceber isso tão bem. No fim, a “natureza” na sua aparente crueldade é ao mesmo tempo generosa. Será que existe no mundo alguma coisa que seja uma coisa só?