Around the World

Eu tenho escrito em ingles. Por isso vou colocar no meu outro blog. Quem quiser le vai la. Ta meio dificil de fazer as duas coisas 🙂 Obrigada pelas mensagens

http://translatingthoughts.wordpress.com/

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De volta a India

Poucos dias de India, ainda nao consegui deixar Delhi. Cada parte do meu corpo se faz mais presente, minha alma dolorida de uma dor assim tao velha como o proprio tempo. Quis fugir e ir direto a Tailandia voltar ao conforto do Gaia no Mekong. A India nao deixou. A India eh assim ela fala, grita, te empurra e eh melhor vc entender logo oque ela esta dizendo. Ou melhor, eh melhor vc entender logo que ela te vira do avesso e que eh voce mesmo que tem que curar as feridas.
Como eu poderia ter me esquecido de tudo isso? Tinha apenas uma vaga memoria da overdose sensorial que senti aqui, quando aqui estive ha 2 anos. Naquela epoca eu buscava o metafisico para me curar.
Lembro de ir a um templo Hindu em Londres no dia que “fugi” do hospital. No dia, que me foi dito que eu tinha uma anomalia no cerebro.
Naquele dia, eu que em nada cria, alem do processo cientifico, e em Dennet, Harris Dawkins e seus seguidores liguei para o meu unico amigo remotamente espirtiual. Ele entao me levou a esse templo. Naquele dia eu me prometi que viria a India. Cheguei em Delhi acompanhada do Haiko e juntos fomos para terra da yoga, e depois para a cidade onde vive o Dalai Lama.
Agora eu volto so. So em meio a milhoes. A solidao se faz mais presente. Eu que queria parar e descansar tenho que lutar contra meus fantasmas. Fui eu mesma, que disse que estava pronta nao foi? A India tbm te lembra isso: uma respiracao de cada vez, um passo de cada vez, e te obriga a ignorar o que vem de fora. Eh no dentro que eu tenho que chegar. Procurei ajuda e ela me foi negada. Em meio a milhoes sou obrigada a me lembrar que a busca do dentro eh solitaria.

Final de um Ciclo

Minha ultima noite em Londres. Pronto rompi tudo. Doutorado, casamento, casa. E acho que eu posso dizer com orgulho que eu terminei tudo como eu queria. Sem bater porta, sem quebrar prato, sem jogar fora, sem ter que imaginar o pior de nada. Chega o ultimo dia assim com plena consciencia que tudo era bom. Que tudo valeu e vale a pena mas que as vezes chega a hora de ir embora. Na voz de Clarice “que ninguem se engane, sò se consegue a simplicidade com muito trabalho”. Foi dificil chegar aqui, mas quanta gratidão eu sinto por todos e tudo que me passou. Quanto tempo levou para ir desfazendo os nos. Quanto medo que deu de dar o primeiro passo sozinha, respirar assim fora num caminho que eu nao sei muito bem onde vai dar.

Amanha eu voo a India. Nao sei muito bem porque a India. A India é sempre dificil. Como disse um amigo meu nem sempre gentil, mas sempre dizendo o que vc precisa escutar. E eu acho que estou pronta para escutar essas estorias. E quem sabe começar a escrever um livro. “As estorias que me contei”. Ja que para viver vamos nos contando as coisas ao poucos, buscando sentido, e uma ordem semantica nos sabores, nas cores, nos cheiros.

É o final de um ciclo… mas todo final é também um recomeço.

Leila- Hammam em Nablus

Leila

E como eu ia fazer para poder conhecer as palestinas? Eu nao sabia muito bem. Tinha tido encontros breves nas vans de transporte. Sempre me surpreendia com o quao politizadas elas eram. Algumas me convidaram para ir a suas casas mas nunca cheguei a ir. Pensando em retrospectiva, nao sei direito porque. Um dia no entanto, tive uma ideia, eu tinha que ir ao hamman da cidade. Em Nablus, a maior parte da semana o Hamman eh so para os homens. No entanto, uma vez por semana,as tercas homem nenhum pode passar da porta.

A saga comecou logo antes: eu precisava arrumar um mayot! Comprei o mais barato, e o que eu achei que me serviria, e ate para os padroes da minha avo eu diria que o mayot era para la de discreto.

Entrei na sala principal do tal hamman, que eu ja tinha visitado antes em dia normal, e vi que o lugar estava completamente transformado. Musica arabe tocava alto, havia mulheres deitadas nas almofadas, narguiles por todas as parte, danca do verntre, aquele grito meio beduino das mulheres felizes, mascaras nos rostos, toalhas, uma verdadeira festa.

Fiquei encantada. Senti me totalmente transportada para um livro. Lembrei do Marrocos. Lembrei dessa sensacao que senti la dos mundos secretos. Timidamente caminhei ate o balcao e perguntei a mulher como funcionava o Hamman. ela me deu varias opcoes e eu acabei escolhendo a que incluia tudo. eu nao sabia muito bem o que o tudo era, mas sabia que queria ver o que aquelas mulheres faziam toda terca feira.

Sem entender muito bem abandonei a sala principal e entrei no Hamman mesmo. Troquei me, e entrei numa sala onde haviam mulheres deitadas no chao. Assim que comecei a andar meu pe comecou a pegar fogo. Uma linda mulher negra deu risada e me pegou pela mao sabendo que eu obviamente nao era dali. Levou me ate onde ficavam os tamancos de madeira.

Eu ri, coloquei o tamanco e tentei me equilibrar nele. Sem saber muito bem o que fazer fui entrando, entrando ate chegar numa salinha que era uma sauna a vapor. Sentei ali sozinha. Sentei fechei os olhos, e sem nem perceber comecei a me alongar. Fazer alguns asanas de yoga sentada de olhos fechados. Quando abri os olhos dei de cara com 3 meninas me olhando.

Leila que tem toda alegria do mundo transbordando de cada poro olhou para mim e disse ” yoga?”. Eu disse que sim. E ela nonpoquissimo que sabia de ingles disse ” you teach I”

E foi asssim que eu fui de nao conhecer ninguem no hamman a passar um dia fascinante com essas mulheres. como eu gostei de Leila. Ela tentava de tudo que era maneira falar comigo, me contar coisas, me ensinar, me fazer perguntas. Apresentava me as outras mulheres, usava o ingles que elas sabiam e o tempo todo gargalhava.

Para mim uma menina. Depois me contou que tinha 7 filhos. 30 anos. Casada com 15. ” I was a child, dont you think?” . Concordei. My mother did not think so. ” no child, get married”.

Perguntei a ela entao se ela faria com que sua filha se casasse com quinze. ” No, 15 child! First university, first carreer! Then get married minimum 23!” e da mais uma gargalhada daquelas contagiantes.

Tamanha eh a sua efusao de energia que as mulheres ali a volta ficam meio apagadas. Apixonei me por Leila queria sabe mais dela. E a lingua que limitava os detalhes. E ela contagiante como era usava o ingles de todos a volta para explicar que uma vez por semana ela ia la esquecer tudo.

Sentamos juntas perto da mulher que faz massagem. As meninas sao todas recatadas. Elas nao se despem na frente das outras. Tudo eh feito com recato, com cuidado para que nenhuma pele que nao deva ser vista seja.

Eu nao entendo as palavras mas eu entendo que Leila quer saber se ela esta bem para 30! Voce acha que eu estou…. Usa os bracos para desenhar um balao a sua volta ” fat?” eu digo? Ela diz oh yes oh yes Fat!

Gargalhamos eu quero dizer a ela que ela eh bonita para qualquer idade. Ela eh uma dessas pessoas que alem de ter os tracos perfeitos, tem nos tracos um molejo, uma alegria uma vida que nem oucpacao, nem sete filhos, nem intifada consomem. Ela eh para mim ali a imagem da mulher na sua maior forca. Eu queria ter podido saber os pewuenos segredos. As pequenas estorias. Em gestos fica difcil.

gesticulo como posso ” is your husband a nice person?”

E ela pausa, olha para mim ” my husband is a very good man, he loves” e num tom crescente diz com a mao desenhando uma escada que sobe ” loves,LOves, LOVES me”.

E vc?, pergunto

Ela levanta a sobrancelha, levantas os ombros e diz em letras minusculas, com os dedos mostrando um pouquinho . ” I love him”

Em seguida da uma gragalhada e conclui “But this is life not a film” e ri um pouco mais.