A impermanência e conexão de tudo. Em Lima.

Sua Santidade Dalai Lama estava por esses dias em Ladkah que é uma região no norte da Índia. Um lugar muito bonito que passei um bom tempo numa das vezes que fui para a Índia. Um lugar de profunda manifestação budista e de montanhas.

Recebi uma foto dele lá que dizia
 “Quando viajo pelo mundo e conheço pessoas, sempre me considero eu mesmo como apenas um dos sete bilhoes de seres humanos que vivem hoje. Não me penso como un tibetano ou um budista e nem sequer como o Dalai Lama. Tenho muitos amigos porque trato a cada um como outro ser humano. Se pensasse en mim como alguem especial, ou como ol Dalai Lama, nao teria amigos.”

~ Sua Santidade Dalai Lama (em Ladakh 9 de agosto el año 2016
Li isto tudo aqui em Lima. Pensei das suas palavras quando o vi pela primeira vez ao vivo em McLeod Ganj. Quando ganhei naquele dia uma grande amiga. Sua SS disse que devíamos pegar do budismo o que fizesse sentido. Que deveríamos dar valor as nossas culturas. Tantas outras coisas. Já a minha amiga é a Denise. A Denise me levou para conhecer SS Karmapa. 


Levei suas roupas de monge para o Lama Lobsang na Inglaterra. Assim ela me deu de presente um amigo tibetano lama que vinha a minha casa e eu na dele e que ele me ensinava tanto sem eu nem perceber.

Depois ela me convidou para ir conhecer Lingtrul Rinpoche e lá fui eu. E lá estva eu calada escondida num canto. Tinha ido para ver a Denise. Fivcava na casa desse lama e ria com ele.


 Nos dias de ensinamento eu nem ouvia muito. Num tal certo dia entrei no canto e lágrimas saíram dos meus olhos. Eu não o via, nem ele me via mas imediatamente disse. “Quando de repente choramos diante de um lama de quem nem sabemos muito é porque já nos conhecemos há muito tempo.” Nesse mesmo dia ele explicou que no outro final de semana daria refugio no budismo. 

Eu não estaria lá. E nesse mesmo dia ele muda de ideia e me chama e eu a maior atéia e descrente do mundo sem saber nada do protocolo fui e tomei refugio no budismo. 


Eu que já tinha me inundado de lagrimas diantes de SS Karmapa.


Imagino que se perguntem porque falo disso aqui de Lima. Pois é fui parar no ensinamento budista de um Tulku que foi bem onde vi o sofrimento de Marriane ( de quem falei no ultimo post). 

Minha ação imediata foi mandar mensagem de WhatsApp para a Denise. E a Denise estava no Tibete. Mando fotos do passaporte da Marriane e ela diz que reza. Me manda uma mensagem contando que Lama Tashi Sonam Tulku Rinpoche tinha se tocado e que a colocaria Marriane na sua Mandala. Me manda fotos do Tibete.

 
Isso se dá durante a semana passada. E eu sou convidada para almoçar com Isabel que levaria o Chamtrul Rinpoche para passear e almocar na sexta. É por esse lama que Marianne está apaixonada. Nesse dia descubro que Chamtrul não nasceu no Tibet. É um bom professor mas na prática não parece se tocar pela Marianne que o segue. Não tenho tanta vontade de ir ao seu ensinamento mas me dou conta que na minha casa ficou  cartão de credito da Marriane. Entao vou.
 
Chego e Marriane não está lá. Chega e eu peço para falar com ela. Sáimos e digo para ela que tenho seu cartão. Ela fica muito feliz porque já estava sem dinheiro. Conto a ela que ela não está sozinha que Denise, eu e o seu Lama Tibetano no Tibet já a colocou numa mandala. Todos somos conectados. Na hora do almoço dizem em espanhol que se pode almocar com o Chamtrul Rinpoche.
 
Digo a Marriane que pode comer com o Chamtrul ou se quiser comigo e o André no Germinando Vida. Ela dúvida se ela pode mas resolve ir tentar comer com ele. Tiramos uma foto juntas porque eu queria te-la. Partimos no sábado e ela ainda parece sofrer.
Domingo André e eu vamos ao ensinamento. Ela chega mais tarde e não consigo falar com ela. Fala-se de compaixão e talvez do meu lado julgador ache a fala em teoria boa, na prática deixa- a desejar. 
Proponho ao André ir Andar no belo sol que se apresenta em Lima. 


Saímos antes para voltar depois do almoço. Volto em casa e me lembro da blusa laranja que tinha deixado num saco para devolver a Marriane. Andamos mais de 11 kms no belo dia que se apresentava.

Quando voltamos para o ensinamento a Marriane não está lá. Chamtrul tinha dito que daria refúgio no budismo no final da aula. Eu sei que não quero tomar refugio nele. No entanto me espanto que Marriane não esteja lá. Procuro os organizadores que me dizem que ela resolveu voltar para Suiça.
 
Pergunto se ela estava bem. Disseram que sim. Saio andando com meu saco e a blusa laranja. O coloco na ponte entre Miraflores e Barranco para que alguém que precise a pegue. Volto com uma metade de fé e esperança que tenha voltado e que esteja bem. Sei que sua conexão com Chamtrul se quebrou. Isso pode significar que já não tenha mais fé em nada e que tenha desistido. Existe esse pedacinho em mim de preocupação.
 
No outro, existe uma profunda fé de que ela tenha rompido esse ligação com Chamtrul e não se sinta só. Que em alguma parte da sua mente saiba que muitas pessoas agora rezam por ela. Eu a atéia fundamentalista passeei com o Chamtrul e Isabel na sexta e fomos a uma igreja. Eu ajoelhei na frente de Jesus e pensei.

 
“Jesus, nem se quer o conheço tao bem assim. Proteja a Marriane.”
 
No sábado mandei a foto da Marriane lá para Denise. La no Tibete. No fundo do meu coração a única coisa que realmente sei é que somos conectados. Nossas ações e reações são imediatas. Precisamos aprender a pensar menos no nosso ego. 
Precisamos aprender a ver o melhor da realidade. Aprender o que existe de verdadeiro valor dos momentos mais difíceis ? A vida é curta. Não devemos nos vitimar. Não devemos julgar. Não adianta. Temos que aprender a aceitar o outro como ele é. Ajuda-lo a ter mais consciência.

Lama Chamtrul é a sua versão do que há de possível e melhor e deve ajudar muitos. Todos nós temos um papel nessa vida. Vez ou outra nos damos conta que deixamos um mal passo. 

Até no budismo tem uma visão do medo. Aja assim pelo karma. Essa não funciona comigo. Tudo que fazia não era por medo. E nem se quer entendo porque o medo é uma ferramenta tão usada por tantas religiões. 

A outra é uma certa forma de egoísmo. Faça o bem porque vc se sente bem. Talvez sejam discursos para encontrar o caminho.

O que sei do fundo da minha alma …e lagrimas saem dos meus olhos é quando me dou conta que somos unidos e não separados. 
Nenhuma dessas mensagens ( medo, ganhos) fazem sentido, parecem só mascaras e atalhos para a profunda realidade da nossa conexão. Da impermanência da vida. Da maravilha que é a vida seja lá qual momento estamos. Desse momento nos temos certeza.

Como SS Dalai Lama a cada dia me sinto apenas um dos muitos milhões de seres humanos. Todos nós com momentos falhos e outros melhores. Todos. Desejo que todos nós fiquemos nos atos melhores. Que são sinapses melhores. Que são dádivas da existência humana.

Minha avó tinha me dito para comprar um quadro feito à mão . Fui olhando tantos e quando chegou Esse na minha mão, era ele. Não sabia explicar por ser tão diferentes de todos. É um rio. É o sol. Sao as cores. É Como dizem mesmo a Agua flutua, tudo é impermanente. Cada lugar em segundos já mudou.


Julieta de Toledo Piza Falavina

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