Coincidências são uma profunda conexão

WhatsApp Image 2017-12-21 at 18.35.07Tive a sorte de eu encontrar a minha grande amiga Paula que me estimulou a continuar escrevendo. Ela é DJ e me contou que vai tocar num lugar palestino em São Paulo. Tiramos uma foto, postei e por sorte, meu amigo da palestina gostou. Falei com ele, e confessei que não conseguia me lembrar o nome de um amigo, aliás de quem tinha falado no último post. Depois de muitas perguntas, ele me disse que era Fayez.

Consegui encontrar minhas conversas com ele no facebook. Eu sempre gravo mensagens 🙂 então, vou e escuto o que tinha mandado e fico impressionada. Tenho vontade de contar a vocês .

Tive a sorte de ver o Dalai Lama, e até conhecer o Karmapa na India. Fiz uma amiga lá, Denise, que me pediu para eu levar roupas tibetanas para um lama que dava aulas de budismo na Inglaterra e na Europa.

É assim que conheço Lama Lobsang. Trago roupas e ele vem me encontrar na minha universidade, LSE. Assim ele começou o seu costume de vir me visitar e ensinar budismo na minha casa com Haiko e Alondra.

Sei que um dia tive um ataque epilético no Marrocos. Ali começou o caminho do meu desespero. Um dia, Lama Lobsang me convida para ir na sua casa. Confesso que não queria ir, e nem queria fazer nada. No entanto, penso que é uma burrice enorme não querer ir. Então pego um enorme tempo de passeio de enorme caminho de trem para chegar até lá. Vou e me lembro do meu coração de maneira nervosa. Chego na casa do Lama dizendo que tenho um problema grave. O meu cérebro tem algo grave. Ele ouve tudo mas não reage a nada. E me chama para ir à cozinha.

Me diz para eu sentar enquanto ele cozinha do meu lado. Ele joga, acho, era só agua e mais algum outro ingrediente e leva tempo. Não lembro de muito, apenas que não falou quase nada. E comemos. Aliás, antes de comer ele \’reza\’ e pensa em tudo que é necessário para comida chegar até nós. As pessoas que criaram, as que colhem, os que transportam, tudo. Aos que podem ter, e aqueles que não podem, que possam um dia ter. Lembro enquanto escrevo que tudo era tão calmo e tão conectado a tudo que existe e ali. Comemos, acabamos e ele me convida para eu ir à sala. Assim que levanto, me sinto tão bem e ele diz:

Você se lembra que estava desesperada?

Nossa, aquelas palavras me fazem lembrar o passado. Tudo que eu tinha sentido. Falei nervosa que era sério o que tinha. Tudo. E ele parou e disse. E só. E lembro agora me ouvindo contando de um Palestino. Eu acho Incrível, mas lá está o que ele me disse:

“Julieta você não lembra que você estava bem. Foi só uma única palavra para tudo voltar. Tudo é impermanente.

“Seu inimigo, os momentos mais difíceis são os seus amigos o verdadeiro momento que pode praticar a compaixão e a paciência”

Essas não são as minhas palavras. São de Lama Lobsang que já partiu da terra. É incrível que minha amiga Paula tenha me falado da Palestina e que nossa foto tenha feito voltar o contato de Fayez. Me fez lembrar que somos todos conectados. Tomara que tenhamos compaixão e paciência.

Tomara que diante das dificuldades tenhamos compaixão, paciência e, acima de tudo, penso que somos muito conectados uns aos outros. Espero ter melhores ações.

Beijos.

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No caminho de volta de coma

Está sendo difícil passar pelo mWhatsApp Image 2017-12-16 at 15.50.46.jpegeu Coma.  Essa é a segunda vez e foi mais difícil medicamente que a primeira. A primeira foi na Tailândia e a segunda é no Brasil. E o que tenho que dizer é que foi difícil. Mas digo que para mim apesar das dificuldades sou grata por mil razões. É que é muito difícil de ler e escrever. Me faz escrever com mil erros.

Tenho tantas coisas para dizer. Primeiro ter ficado comigo mesma, sem ler, cantar, sem andar, tendo que passar com o enorme apoio da minha mãe e pai André, minha avó meu irmão…. Dra Karen. Dra Euthimia. Tantos amigos.

A primeira fundamental é dizer que saber várias línguas desde pequena ajudou meu cérebro a voltar. Voltou tão claro.  línguas distintas estimulam diferentes áreas do cérebro. VoItar a tocar também. Cantar e lembrar das músicas, até das minhas. Então eu abro o piano, o violão e vou tocando qualquer coisa, e no meu cérebro é claro tocou em outro lugar. Tudo vai voltando. Como eu amo agua, a praia, subir a montanhinha e perceber que o descer é mais difícil para não cair. Lembrar das Montanhas.

Sempre me vem minha amiga Leila Alaoui que sempre pensou nos outros e que foi morta.

Me faz tanto pensar nas mil ações do André, meu marido. Nunca fez poesia, nem músicas, mas me mostrou o sentido profundo da ação. André nunca se assustou com meu coma. Nunca me abandonou.  Sempre fez as ações do valor maior. O caminho eu acho é dos práticos, não nos de muitas palavras, não por maldade, mas pela língua: as palavras menos que as ações.

Desse meu tempo parada também me veio perguntas se eu sou religiosa. Passei por tantas… Tive a sorte enorme de conhecer o Dalai Lama, que disse que não pedia para vidar budista: pegue o que fizer sentido e de valor a todas as religiões. Eu que passei por tantos caminhos sou ateia e jamais diria para você ser ateia. Peguei muitas coisas do budismo, e gosto da ação e reação.  E com tudo isso eu me lembro de um amigo Palestino que me perguntou se eu cria em Alá.

Como eu poderia mentir? Disse que era ateia.  Senti medo da reação.  Para a minha completa surpresa ele disse: Você já teve dor? frio, calor, medo e foi por todos sentimentos etc… E então quando respondi sim para tudo ele me perguntou: você se sente sozinha ou com alguém? Eu parei e fui responder na verdade as vezes com alguém as vezes eu estou sozinha. e ele me disse o que nunca me esqueci.

Vou rezar para você nunca se sentir só.

Aquilo me tocou, mas não me deu Alá ou deus ou qualquer um, mas a talvez meu coma tenha me dado essa percepção de que nunca estou só. Não digo que você deva ficar em coma 🙂 Mas sim perceba e sinta que tem algo ao seu lado. Perceba tantas áreas do cérebro. Utilize. Caso fique mal que haja. Dê o nome que quiser, mas dê valor a vida, a terra como os indígenas. Cada passo e como aprendi com o André faça a ação.

Por isso sou grata a meu coma. Talvez tenha sido o necessário para eu ver o que está do meu lado. Eu adoro conhecer mais pessoas na terra. Sou tão grata a isso, mas agora dou mais valor a mudança. Como disse Umberto eco e Carlo Martim “Em que creem os que não creem”, eu diria, dê valor a todos, todas a línguas, religiões, e acima de tudo às ações.

Por isso me faz lembrar das pessoas que tem melhores ações. O que tenho do meu Coma é que os próximos anos sejam de melhores ações. Desejo a todos melhores ações.