As palavras do caminho

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Ano passado estava morando uma parte do ano no Peru. Com tanto tempo em coma e tempo de pensar, pensei no passado e no presente.

Lembrei de como fui parar pela primeira vez no Peru.  Faz anos, e foi quando comecei a viajar sozinha.

No começo era com o meu amigo Sho. Sho nasceu no Brasil, mas sua família é da Índia, e foram morando por todas as partes do mundo. Eu o encontrei nos estados unidos. Acho que nunca vou me esquecer de quando o conheci. Ele me perguntou o que eu faria se estivesse numa casa que estava no desastre de pegar fogo.

Eu respondi que buscaria as pessoas e sairia.  Ele me perguntou o que eu faria se tivessem bichos esquecidos. Eu, na minha frieza! Disse que deixava a lei da natureza. Perguntei a ele se ele teria se esquecido dos animais.

Ele me disse que pensaria no valor da vida que disse, “era independente de como nasceu””.

Anos depois, minha amiga Luciana esteve na situação de incêndio. Eu morava na Europa e ela manda mensagem que tinha voltado para ajudar as pessoas. E o fogo ia fechando todas as saídas e minha amiga teve que pular para sair com os outros com alto risco. Aquilo me tocou muito. Quando pensamos sem saber, sem ter passado por aquilo.

Sei que Sho era assim. Sempre será meu amigo com e a Lu pela enorme generosidade que tem.

Só sei que é viajando com ele, o Sho que começam minhas viagens só. Estamos na Bolívia quando conhecemos uma senhora que não falava espanhol. Nás estávamos ali ouvindo a música. Somos só 3 pessoas para assistir a apresentação de umas cem pessoas. Até podemos cancelar mas a falta de dinheiro pedem para continuamos. Os do país quer que o pouco dinheiro paga por centenas de pessoas e que deve ajudar famílias. Então ouvimos a beleza da cultura da Bolívia.

Levanto e vou falar com a senhora pois ela está sozinha. Pergunto a ela o que está fazendo e ela me diz o que me mudou também.

“Já tenho mais de oitenta e viajo a cada 2 anos para mostras as minhas filhas que ficaram viúvas, que a vida não termina. Eu viajo para mostrar isso. Pego um guia local às vezes e continuo andando pelo mundo a cada 2 anos”

Eu fiquei tão impressionada e disse ao Sho.  Meu amigo. você precisa trabalhar, mas essa senhora me explicou que o Peru é lindo. Vou me separar de você que tem que trabalhar. E eu quero cruzar para o Peru.

Sho, meu amigo, achou que era ótima ideia. Ele já estava a viajar sozinho. La fui eu e descobri que não tem nada de ficar sozinha, quando vai com ninguém conhece melhor o lugar. Conhece as terras e os viajantes. Ali foi minha primeira vez ao Peru.

Essas palavras e ações foram e são muito importantes para mim.  Uma é sobre a confiança nos outros. De ver o melhor do outro. De si.

Tenho algumas falas que me tocam mesmo.  Minha amiga de Ubatuba por exemplo, teve um enorme sucesso com os hambúrgueres que faz. Perguntei a Camila 🙂 Perguntei:) o que mais vê no seu restaurante? E ela me disse: “pessoas que se sentam juntas e ficam no whatsapp”.

Meu deus como me tocou isso. Quantas vezes esquecemos o real para ficar no telefone? Quantas pessoas já não fiz isso 😦 Quantas vezes já não vi isso até criança para mandar mensagem para whatsapp da pessoa do lado. Que triste pensei… Quão perto disso estou eu? Falei para meu amor….. Chega pelo menos no almoço não vamos fazer mais isso. Quanto valor isso tem, essas palavras.

Feliz ano novo. Meu último ano foi difícil. Fiquei pela minha segunda coma, perdi minha avó Jandira, que já sofria fazia anos. Eu queria nesse ano da minha avó Lucia que me ajudou sempre mesmo quando era contra as coisas que eu fazia, eu viajar para lugar que não é na europa:]. Nunca me disse para não ir. Dava um saco de limpeza para eu ir para a Asia, a Africa. Jamais disse não disse para não ir.

Nesse ano, bem no natal minha avó caiu e se quebrou e teve que voltar ao Hospital. No começo não queria se operar. Dizia não tenho pressa de morrer, mas não tenho vontade de lutar pela vida.  Hoje diz que estava feliz que tinha operado. E gosta de viver, mas não tem medo de morrer

Minha avó não tem medo de morrer, mas gota de viver. Minha avó é como eu. Não temos medo de morrer, mas amamos viver.

Amamos estar perto de quem amamos e respeitamos. Desejo a todos o melhor da vida. Acima de tudo que respeitem que os caminhos dos outros são diferentes e sim espero que todos nós sejamos mais presentes.

Essa foto é minha volta na Birmania (Burma), que para onde fui depois  de uma travada no hospital. Fui para lá enquanto o André estava no Peru. Em Burma, Birmania voltei ao caminho de continuar! e é isso que me desejo profundamente. Não se entregue ao medo. Continuemos nossos caminhos.

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