Vovó e minhas idéias controversas.

Vixe consegui escrever ontem e contei toda a história da minha grave queda, mas hoje vou falar de outras coisas da minha avó.

Primeiro quero contar do presente e passado. Um dia conheci HH Dalai Lama e lá ouvi ele dizer que não estava falando para virarmos budista. Devíamos dar valor onde estamos pois é mais fácil e pegar o que achar que faz sentido do Budismo. Eu peguei tentar a paciência, compaixão e impermanência.

Com o tempo fui conhecendo muitos Tibetanos falando de ações e reações. Acima de tudo aprendi sobre em vez de descolocar problemas, aprender ser presente e se auto avaliar.

Eu passei por tudo. Oriente Médio, África, Ásia Europa e América. O mais duro é estar presente e ser presente sem deslocar o problema para algo. Também aprendi que cada pessoa tem um caminho, cada um tem uma língua, personalidade e, portanto, mais fácil aceitar as pessoas como são em vez de dar culpa em ninguém.

Enfim vim contar tudo isso para falar da minha avó Lucia que sempre foi católica e sempre foi paciente. E apesar de eu ter sido ateia, budista etc. etc. nunca me forçou nada. Sempre deixou eu ser como eu sou.

Minha avó tem 93, quase 94, e um dia ficou com artrose, depois Herpes Zoster, Perdeu a visão de um olho e de repente no natal, do ano passado minha avó quebrou a perna. Operou e ficou num quarto. Tudo foi deslocado para seu quarto. Empregadas ficavam no quarto e minha avó sentava na cadeira para ver televisão e ler.

Minha avó sempre fez ginastica, sempre leu, sempre gostava de ler em várias línguas e se adaptou a ficar no quarto.

Minha avó é calma e eu, sou muito brava.

. Resolvi em poucos meses dizer a minha avó para colocar um chamador e ela chamar quando quisesse algo, pois pensei que minha avó devia se sentir bem.

A história é longa. Minha avó fazia tudo nesse quarto e eu disse

“Vó, você não é tetraplégica, não é prisioneira, volta para o resto da casa.”

Minha avó disse que ela tinha 93 anos e eu não entendo. Eu disse

“Vó, você consegue ler e eu travei. Eu no meu coma perdi o andar, o olhar o falar, o memorizar, lembrar. Você sabe ler, sabe falar e consegue andar. Pode dizer a qualquer pessoa, menos para mim. Se você acha mesmo que é ótimo ficar como uma prisioneira num quarto eu vou embora e volto ao Peru, mesmo não me sentindo muito bem.”

Minha avó começou a ver que estava melhor e quis vir comer na mesa. Portanto começou a andar. Quando vovó pedia para alguém escolher a roupa eu fiz minha avó olhar as roupas dela e ela escolher. Minha avó então quis até ver seus sapatos. Começou a querer ver suas amigas. Foi convidada para uma festa de 90 anos de uma amiga da ginastica. Fomos e ela adorou. Começamos a ir a restaurantes.

Voltamos tudo para sala quando o Andre voltou, minha avó só deixou quando o André voltasse. Eu pedi férias dele para nós aproveitarmos a vida. Nunca sabemos o quanto vamos viver. E eu que já quase morri duas vezes sinto profundamente que devemos dar valor ao que temos do nosso lado e nem damos valor até perder.

Eu não tenho medo de morrer. Eu só não quero ser dependente e deslocar problemas. Por isso já disse aos meus pais e Andre que se eu quase morrer, me deixe morrer não lute tanto porque me querem por perto. Não digo porque eu não amo a vida. Eu amo a vida que estamos presentes, não prisioneiros e com medo de morrer.

Também sei que cada um tem um caminho. Só digo tudo isso pois eu sei que minha avó agora está feliz. Minha avó foi ouvir música clássica comigo e Andre. Minha avó adora sair.  Sei que tem muitos que pensam que deve deixar fechada para viver mais, mas nunca vou achar isso já tenho passado por isso.

Minha avó é a pessoa que mais amo no mundo e por isso queremos festa, musica e prazer, e nem minha avó nem eu temos medo de morrer. Eu sei porque eu fico com minha avó. Por isso digo a todos se tem alguém ao lado não ponha para baixo. Não tire os valores, os sonhos por causa do seu medo. Lide com o seu.

Quando os outros deslocam os seus medos o valor da vida também parte.

Tudo que eu escrevi aqui minha avó leu.

Anúncios

QUE O BRASIL NAO TERMINE COMO A VENEZUEL

venezuelaVoltei ao francês, as aulas de francês, onde tenho que contar historias.

O professor ficou impressionado de eu pagar para falar uma lingua que ja sei. Tento voltar.

Por isso, voltei as historias da minha vida 🙂

Hoje me lembrei do meu profundo amor pela Venezuela. Hoje quando vejo tanto ser falado da destruição dos políticos , Penso na venezuela.

São tantas pessoas que pensam que foi o comunismo que destruiu a Venezuela. Eu tenho uma visão que se relaciona ao mundo. Eu e o André, atravessamos o país e fomos prestando atenção que não vimos nada de construção, de fazendas, de arvores, foi ficando claro no supermercado que tudo era importado.

Para comprar era necessario entrar numa fila. Fiquei impressionada de saber que dependiam de vender óleo. Por isso, dependiam do valor, em outras palavras, dependiam do dólar. Agora, quando vejo tantas brigas na politica, penso que nunca precisamos disso, depender do dólar. Em outras palavras, precisamos defender a Amazônia e a auto produção. Destruir as montanhas, as águas, as vegetações, leva o que já vemos: A mudança do tempo, no mundo.

Torço para que o Brasil não fique como na Venezuela, mas mais profundamente, eu penso no mundo. Espero que nunca ficamos dependentes de uma unica produção. Espero que independente de que lado de vida política tenhamos, tenhamos mais compreensão do que destruiu a Venezuela. Nunca  acredite que foi só político .

Monte Roraima

O belo monte Roraima continua lá, já meus amigos venezuelanos tiveram que partir. Estão sem dinheiro, sem trabalho. Os que conheço e que ainda estão na Venu, me escrevem dizendo que estão tentando  partir.

Espero que independente da nossa percepção política, respeitamos a terra, a água, a natureza.

Que sejamos autossuficientes, que respeitamos a terra.

As palavras do caminho

whatsapp-image-2018-01-02-at-18-28-51.jpeg
Ano passado estava morando uma parte do ano no Peru. Com tanto tempo em coma e tempo de pensar, pensei no passado e no presente.

Lembrei de como fui parar pela primeira vez no Peru.  Faz anos, e foi quando comecei a viajar sozinha.

No começo era com o meu amigo Sho. Sho nasceu no Brasil, mas sua família é da Índia, e foram morando por todas as partes do mundo. Eu o encontrei nos estados unidos. Acho que nunca vou me esquecer de quando o conheci. Ele me perguntou o que eu faria se estivesse numa casa que estava no desastre de pegar fogo.

Eu respondi que buscaria as pessoas e sairia.  Ele me perguntou o que eu faria se tivessem bichos esquecidos. Eu, na minha frieza! Disse que deixava a lei da natureza. Perguntei a ele se ele teria se esquecido dos animais.

Ele me disse que pensaria no valor da vida que disse, “era independente de como nasceu””.

Anos depois, minha amiga Luciana esteve na situação de incêndio. Eu morava na Europa e ela manda mensagem que tinha voltado para ajudar as pessoas. E o fogo ia fechando todas as saídas e minha amiga teve que pular para sair com os outros com alto risco. Aquilo me tocou muito. Quando pensamos sem saber, sem ter passado por aquilo.

Sei que Sho era assim. Sempre será meu amigo com e a Lu pela enorme generosidade que tem.

Só sei que é viajando com ele, o Sho que começam minhas viagens só. Estamos na Bolívia quando conhecemos uma senhora que não falava espanhol. Nás estávamos ali ouvindo a música. Somos só 3 pessoas para assistir a apresentação de umas cem pessoas. Até podemos cancelar mas a falta de dinheiro pedem para continuamos. Os do país quer que o pouco dinheiro paga por centenas de pessoas e que deve ajudar famílias. Então ouvimos a beleza da cultura da Bolívia.

Levanto e vou falar com a senhora pois ela está sozinha. Pergunto a ela o que está fazendo e ela me diz o que me mudou também.

“Já tenho mais de oitenta e viajo a cada 2 anos para mostras as minhas filhas que ficaram viúvas, que a vida não termina. Eu viajo para mostrar isso. Pego um guia local às vezes e continuo andando pelo mundo a cada 2 anos”

Eu fiquei tão impressionada e disse ao Sho.  Meu amigo. você precisa trabalhar, mas essa senhora me explicou que o Peru é lindo. Vou me separar de você que tem que trabalhar. E eu quero cruzar para o Peru.

Sho, meu amigo, achou que era ótima ideia. Ele já estava a viajar sozinho. La fui eu e descobri que não tem nada de ficar sozinha, quando vai com ninguém conhece melhor o lugar. Conhece as terras e os viajantes. Ali foi minha primeira vez ao Peru.

Essas palavras e ações foram e são muito importantes para mim.  Uma é sobre a confiança nos outros. De ver o melhor do outro. De si.

Tenho algumas falas que me tocam mesmo.  Minha amiga de Ubatuba por exemplo, teve um enorme sucesso com os hambúrgueres que faz. Perguntei a Camila 🙂 Perguntei:) o que mais vê no seu restaurante? E ela me disse: “pessoas que se sentam juntas e ficam no whatsapp”.

Meu deus como me tocou isso. Quantas vezes esquecemos o real para ficar no telefone? Quantas pessoas já não fiz isso 😦 Quantas vezes já não vi isso até criança para mandar mensagem para whatsapp da pessoa do lado. Que triste pensei… Quão perto disso estou eu? Falei para meu amor….. Chega pelo menos no almoço não vamos fazer mais isso. Quanto valor isso tem, essas palavras.

Feliz ano novo. Meu último ano foi difícil. Fiquei pela minha segunda coma, perdi minha avó Jandira, que já sofria fazia anos. Eu queria nesse ano da minha avó Lucia que me ajudou sempre mesmo quando era contra as coisas que eu fazia, eu viajar para lugar que não é na europa:]. Nunca me disse para não ir. Dava um saco de limpeza para eu ir para a Asia, a Africa. Jamais disse não disse para não ir.

Nesse ano, bem no natal minha avó caiu e se quebrou e teve que voltar ao Hospital. No começo não queria se operar. Dizia não tenho pressa de morrer, mas não tenho vontade de lutar pela vida.  Hoje diz que estava feliz que tinha operado. E gosta de viver, mas não tem medo de morrer

Minha avó não tem medo de morrer, mas gota de viver. Minha avó é como eu. Não temos medo de morrer, mas amamos viver.

Amamos estar perto de quem amamos e respeitamos. Desejo a todos o melhor da vida. Acima de tudo que respeitem que os caminhos dos outros são diferentes e sim espero que todos nós sejamos mais presentes.

Essa foto é minha volta na Birmania (Burma), que para onde fui depois  de uma travada no hospital. Fui para lá enquanto o André estava no Peru. Em Burma, Birmania voltei ao caminho de continuar! e é isso que me desejo profundamente. Não se entregue ao medo. Continuemos nossos caminhos.

Coincidências são uma profunda conexão

WhatsApp Image 2017-12-21 at 18.35.07Tive a sorte de eu encontrar a minha grande amiga Paula que me estimulou a continuar escrevendo. Ela é DJ e me contou que vai tocar num lugar palestino em São Paulo. Tiramos uma foto, postei e por sorte, meu amigo da palestina gostou. Falei com ele, e confessei que não conseguia me lembrar o nome de um amigo, aliás de quem tinha falado no último post. Depois de muitas perguntas, ele me disse que era Fayez.

Consegui encontrar minhas conversas com ele no facebook. Eu sempre gravo mensagens 🙂 então, vou e escuto o que tinha mandado e fico impressionada. Tenho vontade de contar a vocês .

Tive a sorte de ver o Dalai Lama, e até conhecer o Karmapa na India. Fiz uma amiga lá, Denise, que me pediu para eu levar roupas tibetanas para um lama que dava aulas de budismo na Inglaterra e na Europa.

É assim que conheço Lama Lobsang. Trago roupas e ele vem me encontrar na minha universidade, LSE. Assim ele começou o seu costume de vir me visitar e ensinar budismo na minha casa com Haiko e Alondra.

Sei que um dia tive um ataque epilético no Marrocos. Ali começou o caminho do meu desespero. Um dia, Lama Lobsang me convida para ir na sua casa. Confesso que não queria ir, e nem queria fazer nada. No entanto, penso que é uma burrice enorme não querer ir. Então pego um enorme tempo de passeio de enorme caminho de trem para chegar até lá. Vou e me lembro do meu coração de maneira nervosa. Chego na casa do Lama dizendo que tenho um problema grave. O meu cérebro tem algo grave. Ele ouve tudo mas não reage a nada. E me chama para ir à cozinha.

Me diz para eu sentar enquanto ele cozinha do meu lado. Ele joga, acho, era só agua e mais algum outro ingrediente e leva tempo. Não lembro de muito, apenas que não falou quase nada. E comemos. Aliás, antes de comer ele \’reza\’ e pensa em tudo que é necessário para comida chegar até nós. As pessoas que criaram, as que colhem, os que transportam, tudo. Aos que podem ter, e aqueles que não podem, que possam um dia ter. Lembro enquanto escrevo que tudo era tão calmo e tão conectado a tudo que existe e ali. Comemos, acabamos e ele me convida para eu ir à sala. Assim que levanto, me sinto tão bem e ele diz:

Você se lembra que estava desesperada?

Nossa, aquelas palavras me fazem lembrar o passado. Tudo que eu tinha sentido. Falei nervosa que era sério o que tinha. Tudo. E ele parou e disse. E só. E lembro agora me ouvindo contando de um Palestino. Eu acho Incrível, mas lá está o que ele me disse:

“Julieta você não lembra que você estava bem. Foi só uma única palavra para tudo voltar. Tudo é impermanente.

“Seu inimigo, os momentos mais difíceis são os seus amigos o verdadeiro momento que pode praticar a compaixão e a paciência”

Essas não são as minhas palavras. São de Lama Lobsang que já partiu da terra. É incrível que minha amiga Paula tenha me falado da Palestina e que nossa foto tenha feito voltar o contato de Fayez. Me fez lembrar que somos todos conectados. Tomara que tenhamos compaixão e paciência.

Tomara que diante das dificuldades tenhamos compaixão, paciência e, acima de tudo, penso que somos muito conectados uns aos outros. Espero ter melhores ações.

Beijos.

No caminho de volta de coma

Está sendo difícil passar pelo mWhatsApp Image 2017-12-16 at 15.50.46.jpegeu Coma.  Essa é a segunda vez e foi mais difícil medicamente que a primeira. A primeira foi na Tailândia e a segunda é no Brasil. E o que tenho que dizer é que foi difícil. Mas digo que para mim apesar das dificuldades sou grata por mil razões. É que é muito difícil de ler e escrever. Me faz escrever com mil erros.

Tenho tantas coisas para dizer. Primeiro ter ficado comigo mesma, sem ler, cantar, sem andar, tendo que passar com o enorme apoio da minha mãe e pai André, minha avó meu irmão…. Dra Karen. Dra Euthimia. Tantos amigos.

A primeira fundamental é dizer que saber várias línguas desde pequena ajudou meu cérebro a voltar. Voltou tão claro.  línguas distintas estimulam diferentes áreas do cérebro. VoItar a tocar também. Cantar e lembrar das músicas, até das minhas. Então eu abro o piano, o violão e vou tocando qualquer coisa, e no meu cérebro é claro tocou em outro lugar. Tudo vai voltando. Como eu amo agua, a praia, subir a montanhinha e perceber que o descer é mais difícil para não cair. Lembrar das Montanhas.

Sempre me vem minha amiga Leila Alaoui que sempre pensou nos outros e que foi morta.

Me faz tanto pensar nas mil ações do André, meu marido. Nunca fez poesia, nem músicas, mas me mostrou o sentido profundo da ação. André nunca se assustou com meu coma. Nunca me abandonou.  Sempre fez as ações do valor maior. O caminho eu acho é dos práticos, não nos de muitas palavras, não por maldade, mas pela língua: as palavras menos que as ações.

Desse meu tempo parada também me veio perguntas se eu sou religiosa. Passei por tantas… Tive a sorte enorme de conhecer o Dalai Lama, que disse que não pedia para vidar budista: pegue o que fizer sentido e de valor a todas as religiões. Eu que passei por tantos caminhos sou ateia e jamais diria para você ser ateia. Peguei muitas coisas do budismo, e gosto da ação e reação.  E com tudo isso eu me lembro de um amigo Palestino que me perguntou se eu cria em Alá.

Como eu poderia mentir? Disse que era ateia.  Senti medo da reação.  Para a minha completa surpresa ele disse: Você já teve dor? frio, calor, medo e foi por todos sentimentos etc… E então quando respondi sim para tudo ele me perguntou: você se sente sozinha ou com alguém? Eu parei e fui responder na verdade as vezes com alguém as vezes eu estou sozinha. e ele me disse o que nunca me esqueci.

Vou rezar para você nunca se sentir só.

Aquilo me tocou, mas não me deu Alá ou deus ou qualquer um, mas a talvez meu coma tenha me dado essa percepção de que nunca estou só. Não digo que você deva ficar em coma 🙂 Mas sim perceba e sinta que tem algo ao seu lado. Perceba tantas áreas do cérebro. Utilize. Caso fique mal que haja. Dê o nome que quiser, mas dê valor a vida, a terra como os indígenas. Cada passo e como aprendi com o André faça a ação.

Por isso sou grata a meu coma. Talvez tenha sido o necessário para eu ver o que está do meu lado. Eu adoro conhecer mais pessoas na terra. Sou tão grata a isso, mas agora dou mais valor a mudança. Como disse Umberto eco e Carlo Martim “Em que creem os que não creem”, eu diria, dê valor a todos, todas a línguas, religiões, e acima de tudo às ações.

Por isso me faz lembrar das pessoas que tem melhores ações. O que tenho do meu Coma é que os próximos anos sejam de melhores ações. Desejo a todos melhores ações.

Uber x Taxi que peso que vc prefere ?

Estou há dias ponderando se escrevo sobre isso ou não? No entanto, são tantas as informações que não tem jeito eu escrevo. Afinal você prefere o Uber ou o Taxi.
 
Em São Paulo os taxis eram bem mais caros e pela minha lealdade fiquei com eles e poucas vezes tomei o Uber. Desde que cheguei em Lima me falaram tanto do Uber que resolvi tomar o Uber.
 
Aqui tem taxista que também é do Uber mas uma coisa é fundamental de se dizer: Taxista, que é Taxista não precisa da Internet. Já os meninos do Uber… ai meu deus….
 
Sim, os carros são melhores mas aqui em Lima do momento que você tomou o Uber você passa a receber e-mails te dizendo para você transformar o seu templo livre em dinheiro. Ou seja, trabalhe para eles. Voce já deve estar cansado de saber que quem ganha mesmo é o cara do Uber. No entanto, nada como tomar muitos Uber para realmente dar valor a taxista que é taxista há 30 anos.
 
Um quis dar aula a um outro carro, dando buzina e tivemos um acidente e eu quebrei o dente. O outro que iria me levar ao dentista mas pela falibilidade do mapa me mandou ir a pé até ele não me levou. Eu e o André não o encontramos. Ele cancelou a corrida e eu sou cobrada. Pegamos o ônibus. E Pegamos o taxi da rua . Eu escolhi o senhor mais velho, o menor taxi. E ele além de nos levar, nos ensinou muito sobre a cidade. Claro, ele não dependia de mapa nenhum.
 
Depois eu por acidente apertei a corrida compartilhada. E o homem do Uber levou duas pessoas e disse que o mapa tava cancelado. Eu disse que não era de Lima, não sabia onde estava e que ele ao menos me deixasse no meu bairro já que obviamente o não taxista não sabe as ruas. E foi isso. Me trouxe ao meu bairro e o resto fui a pé a noite.
 
Hoje foi mais um menino que quer ganhar uns trocos enquanto não está na universidade e vira sem olhar para o lado e eu fiquei com medo de acabar em mais um acidente. O que me trouxe para casa era muito simpático mas tampouco o mapa o ajudou a chegar onde o Uber tinha dito que eu estava. Fomos parar num lugar que nem conheço e eu mandei ele vir para uma avenida perto de mim. Ou melhor mudei o percurso no mapa do Uber.
 
Taxis ficaram muito caros em São Paulo pelo controle de licença. Varias vezes os taxistas mais velhos me disseram que tinha espaço para todos em São Paulo. Os mais jovens carregados de dividas estavam furiosos e me diziam que o Uber era perigoso para mim.
 
Na época achei que falavam so por medo de perder a clientela mas agora eu concordo com eles. O Uber não tem nenhum compromisso com colocar motoristas que sejam treinados para transportar passageiros. Me disseram que taxista no Brasil precisa ter uma licença especial.
 
Uma certeza eu tenho. Aqui o taxi é mais feio, mais simples e mais barato. O uber quando é taxi agora dou graças a deus. Quando é um bom carro tenho pavor. Invariavelmente causam um problema. Não conhecem a cidade. Dependem da Internet. Dependem de um mapa errado. E nunca trabalharam nisso há mais de nos máximo uns meses……
 
Entao acho que agora prefiro carregar pesos na carteira do que carregar peso de preocupação antes, durante e depois do Uber. Mas se estou sem dinheiro na carteira  pego o Uber….

— 

http://www.translatingthoughts.wordpress.com
http://omundosegundoadenilson.wordpress.com
https://descolonizandoamente.wordpress.com/

Julieta de Toledo Piza Falavina

FIlhos ? E a Republica Evangélica do Mercado e Agronegócios Brasil ?

Aqui em Lima, como no norte da África e Oriente Médio todo dia me perguntam se tenho filhos. A explicação de que não tenho, vem sempre com uma pergunta do outro lado.

Engraçado porque em Londres ninguém me perguntava. No entanto, de tanto ir para o norte da África e Oriente Médio e América Latina sempre quero responder a verdade. “ Nunca quis” Desde os 25 me falam da vontade que viria.
Não veio aos 26. 27, 28,29, 30 e nem aos 34 -35. Claro que pode mudar, só que não mudou. Insistem e eu explico porque meu pai sempre me disse que não queria ter filho, teve porque minha queria. Ou seja, na minha casa nunca teve gente pedindo para neto.

Não me dou bem com meus pais. Não por isso. Por razoes politicas e opinião de vida e de mundo fundamentalmente distintas… mas de uma coisa sou grata por eles terem me criado assim, não com discursinho de família, tipo da câmara.
Isso me fez completamente vinculada a seres humanos sejam eles de que classe, pais, nacionalidade sejam. Vivi em muitas cidades. Portanto isto também desfaz o materialismo porque tudo que tenho é temporário. Meu pai também dizia que hoje em dia nunca colocaria uma pessoa a mais no mundo.

Nisso eu concordo. O mundo é superpopuloso Na minha versão se mudar de ideia, e quisesse ter um filho, adotaria. Tem muita gente que precisa de casa e de amor. Conheço algumas pessoas que de fato se dedicam aos seus filhos porque realmente entende a dimensão do que significa ter um filho.

Depois  de ter voluntariado com criança na Ásia e na Europa e passado tempo no Brasil  percebo o tanto que gosto de crianças.





Eu diria que a maior parte não destina nada de tempo aos filhos.  E às vezes vejo que as pessoas mais pobres dão mais atenção. Os filhos dos mais ricos ficam com babás e avós e as pessoas que viram babás deixam seus filhos com a mãe.


Algumas pessoas aqui em Lima trazem seu filho para o trabalho e eles brincam quando a mãe trabalha.


Por isso não me choca tantas crianças de família mais rica  usando Pokémon (feito por espião) e que cresça na velocidade que cresce. Quantas pessoas vemos na rua completamente alienadas pelos seus telefones. O argumento chega até ser “bom pelo menos meus filhos estão andando mais.”.
Então, sim todo mundo tem filho, trabalha para comprar os brinquedos, os telefones e assim se separam um diante do outro. Alias isso também se passa com adultos.

Em Israel me falavam tanto da importância do sangue, de eu buscar minhas raízes judaicas por ser Toledo área tao judaica e da importância de voltar ao judaísmo e mudar para Israel. Imagina? E então colocar o filho no IDF?!?!?

Passei a inventar que não era fértil. Não funciona. Só sei que então vem então  a reza. A pessoa quer rezar para vc engravidar.

Aqui em Lima eu estava meditando do lado do mar quando um senhor vem falar comigo e acaba virando dessa vez um processo de evangelização. Ainda bem que o Andre chegou e ouviu também e ele então pediu para que nos aceitássemos sua reza. Numa parte eu teria que dizer “me aceito evangélica.”

Disse a esse senhor que não tinha chance porque eu não era e nem queria ser evangélica. Ele apela ao medo. E se o seu marido sair com outra mulher ?

“Tudo bem. Ele é livre. E o senhor o que pensa dos homossexuais? “
Se descontrola e diz que estão no inferno. E eu tentando sempre ser cordial tento ser amigável no adeus mas a pregação de ter filho, de ser evangélico não acaba.
Chego em casa ouvindo um barulho. Apelo a reza ao deus de tudo e digo.
“Deus, Deusa além da concepção da humanidade que aceita todos a despeito de língua, religião tire esse espirito do mal de perto de mim. “
Eu não acreditava muito em espíritos mas sei que esse homem ficou transformado, falando com além e era carregado de discurso tão conhecido. Seja pelo deus do além ou o sono o barulho se foi.

Tenho vontade de ir logo ao Iran antes que ele não esteja mais lá como se passou com Alepo que perdi por hesitação trivial. Pensando que tudo é possível a qualquer momento. E eu que conheço tantos muçulmanos confesso que tenho muito mais medo da Republica Evangélica do Mercado e Agronegócios Brasil do que do Iran.

Sempre fui de fora. Até em São Paulo eu sou de fora. Quem morou muito tempo fora do Brasil entende isso. Então confesso que para republica evangélica eu não volto. Teve uma frase boa do meu pai. “Você não quer ter filho porque você não faz contrato que não pode ser quebrado.”

De fato, filho é uma coisa séria de alto valor. Como diria minha avó “Adultos não imaginam o tanto que uma criança sente e pensa.”

Filho pode ser que um dia venha a tal vontade. Disso eu não tenho certeza mas uma certeza eu tenho a  Republica Evangélica do Mercado e Agronegócios  Brasil eu não apoio. Não quero voltar.

http://www.translatingthoughts.wordpress.com
http://omundosegundoadenilson.wordpress.com
https://descolonizandoamente.wordpress.com/

Julieta de Toledo Piza Falavina