Deve ser no mistério interno

Estava eu ponderando do que eu queria escrever. Eu que falo tanto fiquei tanto em silencio na mesa na hora de almoçar, e então minha avó me perguntou em que eu estava pensando. Contei que eu estava triste pelas coisas que meus pais tinham dito outro dia, ou dias.

Basicamente é dizer que meus comas me deixaram sem as capacidades do passado. Eles não percebem que essas frases são muito duras.

Meus pais não são violentos, mas verbalmente nunca me de aceitaram como sou e sempre quiseram que dissesse outra coisa, ou melhor de como somos. Sei que não sou só eu que penso nisso. Sei de muitos que tem coragem de contar. Eu triste então minha avó me contou que seu pai contava que seu pai ( avô da vovó) dizia que as irmãs eram do pai da vovó eram inteligentes e o pai da minha avó não teria bom futuro.

Errou totalmente porque o pai da minha avó teve extremo sucesso em tudo mas no entanto ele nunca esqueceu pois até minha avó sabe que ele nunca se esqueceu.

Não estou aqui no estilo psicologa. Gosto das minhas ponderações de como é difícil ser pais e aceitar eles serem não como imaginavam que deveriam ser.

Esses dias veio aqui a Naoko que tem 83 anos e continua fazendo o que ama. Falamos da tradição do Japão. Basicamnte o filho mais velho tem que fazer o que pais pensam que vai fazer e que eles pensam que é o melhor. Sei que por isso poucos se casam e tem filhos no Japao.

Quanto à India também sei que o filho mais velho é responsável pela familia. Ou seja não tem liberdade de escolha. Tem que fazer uma carreira para ganhar dinheiro e ter culpa do resto da família se não fizer. Não sei só por ler, sei por conhecer as pessoas que me contam.

Eu que inventei de aprender a tocar piano, e o senhor extremamente bom afinador me contou que não era sua escolha. Avô, pai, ele e agora o filho foram e são afinadores. Esse senhor toca bem mas não gosta. Não teve a chance de fazer a escolhas do que gosta. Pode ser que goste, mas não sei.

Quando eu estava fazendo minha primeira aula de piano fui explicar que eu sou péssima em memórias visuais. E ela achou que tinha aprendido por ver 🙂 Me disse para de pensar no coma e que esse bloqueio iria aos poucos me libertando. O meu maior bloqueio é musica. Musicas ficam internas mas não saem.

Me tocou. Enquanto meus pais vivem me dizendo do coma e minha avó vive de falar “ chega desse coma querido”.

Eu digo “ esqueça que ter 94 é ser velha negativamente. Ai eu esqueço o coma”

Mas é duro quando estamos envelhecendo não pensar negativamente. Eu acordei não faz nem 2 anos.Não conseguia abrir o olho, falar, andar, lembrar etc.

E voltei e aprendi que quase morri e não tenho medo disso. Aprendi que epilepsia é um sintoma de alguma coisa que não sabem o que é.

A minha recuperação ainda mais inexplicável. Voltei a falar línguas, yoga, memórias do fatores que me tocaram muito. E do presente os voltaram.

Pq sera? Honestamente desde de pequena queria me matar. Fugir de casa mil vezes. De onde vem nao sei.

Nas minhas ponderações me faz lembrar que um ataque epileptico é uma fuga interna.

Anos atrás fiz vipassana. Lá vc fica sem livro, sem telefone, sem falar. Voce é seu maior inimigo.

Lembro que vou ver meu amigo Lama Lobsang que é monge do Tibete. Mostro as regras e ele concorda que é dificil. Eu esperava apoio mas ele dizendo, se se sentir mal vai embora. Me libertou. Tantas vezes e não ia. Na libertação fui.

Quando ficamos sozinhos aprendemos a ver os outros e nós mesmos.

Lama Lobsang dizia como Dalai Lama nosso maior inimigo é o nosso melhor amigo. É nós mesmos.

Sentei em silencio escrevendo e ponderando de onde vem essa fuga? É de quem não diz o que quero ouvir? Ou sou tão pouco evoluída de saber que pais sempre tentam fazer o melhor que pensam mas tem muito medo dos nosso erros. Ou quem sabe já são os seus próprios erros.

Tudo que aprendo da vida e que vem do egosimo e do medo não ganhamos nada. Todos nós vamos partir da terra como somos.

E na verdade em nenhum estudo, religião, filosofia, antropologia, medicina não realmente sabe. Sabemos quase nada com tantas versoes. Sigamos o caminho que achamos que é melhor. Deve ser no mistério interno que descobrimos qual é o nosso caminho.

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Talvez o evoluir é aceitar as percepções dos outros e o a do nosso maior inimigo é nos mesmos.

Depois de tantos anos falei com a minha amiga Petlis. Pet é de HongKong e estudava na Hofstra em Long Island en NY. Nessa época era ano 2001. Por isso estava no 11 de Setembro.

Falando depois de mais de 10 anos rimos muito. Percebo que não mudamos quase nada, pensando que evoluímos com os ensinos, e com as perdas ou de estarmos envelhecendo 🙂 Portanto rimos porque falamos no Whatsapp com o mesmo estilo. Faz anos que nao falávamos e nem tinha face e Whats 🙂

Pet veio aqui ao Brasil e eu fui para HongKong faz muitos anos. Fomos juntas da faculdade também para conhecer Paris e Londres. Isso também faz anos.

Pet me lembrou que em HongKong eu fiquei doente de comer. Eu não lembrava de nada disso.

Quando contei a minha avó que tem 94 e ela se lembrava. Disse que eu tive febre e fiquei mais impressionada que minha avó me contou que ha mais de 10 anos que eu tinha ficado impressionada que o pai da Pet tinha comprado centenas de filmes para eu ver e ler.

Minha avó me dizendo e ouvindo me fez eu me lembrar de cara. Veio a memória. A casa que eu fiquei em Hongkong. A cama que sentei e deitei pois o pai da Pet achava que eu devia descansar antes de eu passear.

Agora me lembro. Filmes em ingles, alemão, francês e em outras línguas que eu não sabia que línguas eram. Todas do estilo do ocidente.

Hoje entendo. Tendo indo tantas vezes à Asia ja me acostumei de ver em letras que não fazem sentido para muitos ocidentais. Portanto não era fácil para o Pai da Pet me dar livros e filmes.

Imagina como nos compramos para alguém do Laos, de Vietnam, Burma, China, Thailandia 🙂 Claro na lingua deles. Portanto aquilo era de uma bondade maravilhosa.

Ai me fez me lembrar que aprendi a não tomar agua gelada lá. Tomar chá. E até hoje não gosto de beber algo gelada.

E a adoro Chá e café. E diz a Pet e minha avó que fiquei dias sem comer e eu não lembrava. Sei que aqui em Ubatuba agora quando fiquei me sentido com dor de estômago e fazendo muito cocô. Não tomei remedio.

Resolvi ficar sem

comer um dia. Tomar suco e frutas no segundo dia e no terceiro comi um pouco. Portanto fiquei ótima.

Quando falei com a Pet, Ri muito. Rimos muito porque do que eu lembro dela, ela não lembra e eu não lembro do que ela se lembra. Assim é amizade profunda. Em vez de se defender e dizer que é diferente. É aceitar que as nossas percepções sempre são diferentes por mil razoes.

Quando abandonamos nossa vaidade de pensar que assim sempre sabemos melhor começamos a dar risadas e gratidão de voltar a memórias e de entender que sempre prestamos atenção em coisas distintas.

As vezes no nosso egosimos em si, mas quando lembramos do outro é de vermos que pensamos nos outros. Nosso egosimo é de pensar é que num ato ha uma unica realidade 🙂

Também veio aqui a minha amiga Angela que tambem não tinha visto faz tempo e só de nos vermos, nós voltamos a falar com o sotaque que inventamos em Itaunas de antes de 2001.

Como é maravilhoso retornar dos contatos do passado. Do nada veio a minha mente saber da minha amiga Maya de Israel.

Nos conhecemos na Asia e eu ja fui na casa dela faz uns 6 anos em Israel. Agora ela é mãe. Continua com o mesmo namorado e eu me lembro tanto disso.

Confesso das minhas perdas de coma e pergunto se nao fomos para eles comprarem uma casa na fronteira de Israel com Líbano. Fiquei chocada aquele dia.

Ela me manda mensagem no face e ri. E diz não mudei nada e ela lembra dessa casa que eu tinha dito que não era boa ideia.

Acho que do que tem um sentindo profundo. Não esquecemos.

Ontem fui comprar um livro para minha avó que ama ler todos os dias. Olhei, olhei , olhei e quando vi aqui em Ubatuba um livro do meu escritor favorito. Em vez de comprar um novo, achei um livro do Dostoiévski.

Escrevendo aqui eu ri. Eu amo tanto os Irmãos Karamasov. Não comprei esse porque esse minha avó conhece bem do tanto que falo desse livro e minha avo ja leu.

Pego um e vou dar uma olhada e vejo que tem a história dele. Eu sabia que ele tinha estado na prisão. Sabia que tinha escrito livros que eu amo. Sabia que tem epilepsia no meu livro favorito de Irmãos mas eu não sabia que ele também era epiléptico.

Aquilo me fez entender muito mais seus livros. Seu ultimo livro é o que oque mais amo. Lendo sua historia para ver como estão tanto lá.

Escrevo isso rindo porque não mudamos nada. Continuo amando as mesmas coisas.Falando e vemos as mesmas coisas.

Dizia meu amigo Lama Lobsang que nosso maior inimigo era nosso melhor amigo. Eram nós mesmos. E lógico que as pessoas mais próximas sabem melhor o nosso real pelas suas percepções.

Quando nos confrontamos com o que pensam que dizem que somos, ficamos infelizes ou bravos. Tenho percebido que imaginamos que mudamos muito. O duro é aceitar que não mudamos muito. Nossas qualidades são as mesmas, e os nossos erros são os mesmos.

Talvez o evoluir é aceitar as percepções dos outros e o a do nosso maior inimigo é nos mesmos.

Precisamos ter menos medo e fazer o caminho que acreditamos é melhor a todos.

Voltar a escrever é interessante. De repente me vêm coisas na mente.

Lembro que Dr Getulio me dizia que eu deveria escrever.

Dr Getulio meu médico querido com quem sempre tinha conflitos de ideias.

Getulio morreu de correr. Teve um infarto e foi parar no hospital e como eu, ele ficou em coma, mas ele não voltou.

Dr Getulio sempre dizia que cada ataque epiléptico ia fazer meu cérebro ser destruído.

O primeiro ataque epilético foi quando eu estava no Marrocos, na casa da minha amiga Mounia ( Moon).

Tem tres pessoas do Marrocos muito importantes na minha vida.

Mounia, Leila e Mustapha. Mounia é uma grande artista, Leila uma fotógrafa incrível e Mustapha um professor incrível na minha vida. Fez a aula “decolonizing the mind” que quer dizer descolonizando a mente.

Conheci os 3 em Long Island em NY. Fui fazer faculdade na Hofstra e tinha ganhado uma bolsa do Ibeu.

Cheguei 10 dias antes de 11 de setembro. Até de Long Island dava para se ouvir a explosão.

Aquilo me mudou. Meus amigos do Marrocos tinham que explicar que não eram terroristas. Todos os alunos de países muçulmanos tinham que explicar e eu fiquei mais interessada de aprender o que se passava no oriente médio.

Acabei ganhando outra bolsa da Hofstra para estudar politica internacional em Amsterdam na Holanda.

Lá conheci o Haiko. Haiko foi meu primeiro marido. Até hoje é meu amigo. A separação eu inventei para abandonar meu doutorado que era na LSE em Londres. Meu doutorado era sobre Israel e a Palestina.

Antes do meu doutorado e mestrado eu vivia em Londres e fui para o Marrocos para conhecer o país dos meus amigos.

Mounia arrumou uma viagem incrível para mim Haiko e nossa amiga Adriana para ir ao deserto do Saara . Foi incrível.

Fomos a outros lugares lindos juntos como Marrakech, Rabat, Casablanca

mas Haiko e Adriana tinham que voltar para trabalhar e eu resolvi ficar para conhecer a cidade que Felipe tinha me dito que era linda.

Felipe tinha ganhado a mesma bolsa e foi ele que me escrevia para eu ir a Hofstra. Eu fresca mesmo podendo não queria ir. Felipe me inspirou.

Ele tinha ido ao Marrocos muitos anos antes de eu ir. Ele tinha amado e me disse de que era lindo Chefchaouen.

Fui e amei. Conheci dois senhores espanhóis que ficaram chocados que eu viajava sozinha. Eles compravam coisas do Marrocos e vendiam na Espanha.

Expliquei que tinha costume desde de jovem e eles se ofereceram de me dar carona para ir a Espanha.

Eu nem sabia mas aprendi que a Espanha tinha tomado terra na Africa. Aceitei.

Os senhores foram muito legais a e me fizeram ver muitos lugares até chegar a fronteira. Cruzei para Ceuta. Quando cruzei de carro ninguém da fronteira olharam nada para mim. Só olharam o passaporte.

Fiquei triste e chocada com Celta. Fiquei no hotel e voltei a pé para voltar ao Marrocos. Então vi o que já contei e escrevi e nunca vou esquecer.

Muita fila mas me mandaram passar na frente. Africanos voltando para africa com o rosto da tristeza. O sonho de ter uma vida destruído. Quando cruzei fui ver os que tentavam cruzar para europa com o sonho de melhorar a vida.

Tomei um taxi. Na fronteira tinha muitos deles. E eu nem sabia onde ir. Fui de cidade a cidade e voltei a Marrakech.

Vi minha amiga Leila, vi Mounia. Passeamos.

E de repente dos meus últimos dias no Marrocos vou dormir e começo sentir eletricidade no corpo. Nunca tinha tido. Ela vem no corpo e vai subindo. Da vontade de fugir de si mesmo.

Não há como fugir de si mesmo. E de repente vai até a cabeça e cai na cama onde já estava.

Sem jamais ter estado doente no Marrocos. Jamais tendo estado triste ou brava. Eu estava no lugar das minhas amigas tudo era perfeito na minha viagem.

Lembro que quando acordei e contei a empregada da Moon. Ela rezou de uma maneira do Marrocos. Islâmico ou da terra. Falei com a médica e não achou que era nada.

Mounia e Leila eram minhas amigas da época de faculdade.

Mounia veio ao meu primeiro casamento na Holanda. Leila morava comigo em NY. Mustapha sempre me fez pensar em descolonizar a mente. Trabalhei com ele na faculdade.

No meu primeiro coma Leila me ligava para me ajudar voltar a falar francês. Mustapha também sempre queria saber de mim. No meu segundo casamento com meu amor André, Leila veio aqui ao Brasil.

Casei em Setembro 2015. Leila foi morta em Ouagadogou em Janeiro 2016. Dr Getulio morreu em fevereiro em 2016. E eu fui parar no hospital de novo. Me sentia mal. Não sabiam o quê tinha. Acharam que era Vasculite. Me deram cortisona. Me visita o Felipe

E eu vou a Burma. Mudo para o Peru e de novo me induzem ao Coma no Brasil. Dessa vez sem Dr Getulio e Leila voltar.

Conto tudo isso para dizer que Dr Getulio procurou por anos e morreu fazendo o que ama. Leila estava fazendo oque ama.

Felipe um grande cineasta está fazendo um filme agora sobre a Leila.

Escrito tudo isso para contar que não sabemos muito da nossa vida. O mais importante é dar valor a todas as nossas ações.

Espero que todos nós possamos fazer o que acreditamos que é o melhor não só para nós, mas para o mundo.

Espero que a gente entenda que as pessoas têm percepções distintas. Todos vamos partir da vida.

Precisamos ter menos medo. E aceitar o caminho. Mesmo da enorme saudade que tenho da Leila e do Getulio mas sei que morreram fazendo o que amam e pensando nos outros.

Controverso, mas é oque vejo e penso.

Esses dias têm me dito para eu voltar a escrever. Perdoe os meus erros que vêm pelo último coma, mas tento.

Tenho muitas coisas a contar. Confesso que nem sequer acredito muito na medicina ( pois sei que apesar dos estudos sabemos muito pouco do cérebro). Quando todos acharam de novo que não podia voltar. E eu acabo de voltar de novo da Asia. Lá andei, nadei, bicicleta, falei ingles, frances, espanhol e micro thailandes, laos, vietnam, canbodia e como sempre aprendi mais da vida e das pessoas.

Então penso que antes de ser cuidado e tratado em hospital privado, faça uma análise do que tem comido, do tanto que tem ficado nervoso por bobagem, do quanto tem andado e feito alguma forma de mobilização. E do tanto você acha que o sistema da organização do mundo e pondera se quer ou não ser parte desse sistema.

Antes de ser classificado por personalidade de doença neurológica ou psiquiátrica que te ajuda conseguir ficar dentro do sistema, faça uma avaliação interna. E aceite que qual seja a sua decisão deve ser sua porque da consciência sabemos muito pouco. Todos nós. Mas as nossa escolhas são as nossas.

Sei que muitos não ficam felizes de ler os meus pensamentos. Não é só de mim. É de varios que eu conheço.

Eu que ja estive tanto no hospital privado, penso que ja que nem se sabe o que tenho, mesmo analisando no mundo. Tenho admirado os costumes do passado e dos que não fazem nada por medo ou egoísmo .

Vejo que tendo feito yoga e meditação e aprendido línguas jovem parece que é me ajuda muito no retorno do impossível.

Cada um faz sua escolha mas observe o que come. Quanto viciado as coisas somos e reflita ao que te faz bem.

Posso contar milhões de historias e vou tentar contar mais.

Normalmente me admiro das pessoas velhas que conheço, mas hoje vou contar de uma menina que conheci no Cambodia. Vou dar um nome qualquer para mantê-la em segredo. Xe 🙂

Demorou alguns dias para eu aprender a sua historia mas me tocou.

Xe é da Malásia e fala ingles muito bem. Me contou que era de uma familia de onde os pais eram muito violentos. Com 15 anos fugiu de casa e sua mae aceitou porque tinha certeza que ela voltava rápido.

Xe arrumou trabalho ilegal porque pela lei so podia trabalhar com 16 anos. Trabalhou e depois de 2 anos passa para coca cola fazendo propaganda.

Começou a ganhar muito dinheiro e arrumou um namorado drogado e traficante. Ficou mais rica.

Ela apanhava do namorado e aceitava, às vezes ia ao hospital. Um dia a melhor amiga de Xe ficou grávida. Essa amiga era de familia evangélica da África.

Quando nasceu o filho da sua amiga, passou um mês e morreu a mãe da amiga. Ela pediu a Xe que ela cuidasse enquando ela iria ao enterro da mãe na Africa. A melhor amiga de Xe disse que Voltaria em duas semanas para pegar de volta seu filho de 1 mês.

Não voltou. Xe disse que se ela não voltasse, ela iria ligar ao pai dela. Xe jovem não tinha como cuidar. Ela tinha que trabalhar.

Xe ligou ligou ao pai da melhor amiga. Falou com o pai que é pastor na Africa e avô agora. Ele foi à Malasia. Ele foi e não pegou o neto, mas deu dinheiro para ela dar a uma babá.

Uma vez chegou em casa e viu que a Baba usava droga. Ela decidiu declarar na policia. A baba mais velha disse que era mentira.

Ja fazia uma ano e meio que Xe ja estava com esse bebê. Sua maior culpa é que deu o bebê à Babá que na policia declarou que era dela.

Nem sei se tem registros. So sei que me contou que apesar de ser acostumada com a violência, teve que aguentar o namorado bater nela na frente de todos os amigos. Ninguém a protegeu e ela foi parar no hospital e ali ela pensou.

“ This is the top. I can’t support”. Esse é o topo. Não aguento mais nada.

Ela tinha conseguido comprar casa, carro, coisas. Ela disse que nada disso tem valor.

Ela resolveu partir. Resolveu ser voluntária no Vietnã. Ficou ensinando inglês e morando numa casa onde as pessoas não eram violentas. Lá eles cozinhavam juntos. Comiam juntos. Aquilo naquela experiencia era o melhor.

Quando a conheci ela trabalhava num hostel. Ela estava feliz.

“As pessoas dão muito valor a casa, carro, coisas e isso não significa nada na nossa vida. “

Voce pode pensar assim porque ela é jovem. Vi tbm e conheci velhos que cansaram do sistema que obriga acabar aceitar uma percepção clinica para algum remedio que os fazem ficarem funcionando nesse sistema.

Eu sinto que esse sistema tem criado muitas percepções de continuar igual. Eu percebo que prefiro ser fora das regras do medo e do egoísmo.

Cada um escolhe seu caminho mas acho que achar o que naturalmente em paz para mim é melhor. Mesmo com as quedas.

Comer cachorro?

Hoje recebi de um amigo ingles que mora pelo mundo. Mandou essa foto. Fiquei chocada.

Ele foi convidado de comer na casa de pessoas no Vietnã. É um cachorro.

Fui ler e vi que é legal comer cachorro na China, Vietnã, Korea e Nigeria.

Fiquei chocada. E eu que não como muita carne. Falei para minha mãe e ela me disse que na França se come cavalo.

Pensei, fui vegetariana tantas vezes. E amo muito a comida da India que é bem vegetariana.

Resolvi tentar voltar ao vegetarianismo. Porque qualquer bicho é bicho e eu prefiro tentar voltar ao que fazia antes, como o andre.

Cada um escolhe o que quiser mas acho que ser vegetariana para mim é muito melhor. Prefiro não matar um bicho.

Quais são as nossas escolhas no mundo?

Estou na Asia. Ja vim tantas vezes e sempre digo que amo a Ásia. Dessa vez eu penso e digo a todos, eu amo o mundo. onde nascemos não representa nada das nossas escolhas pessoais.

Então sempre aqui digo.

“Prefere trump ou Xi ?” Caso não saiba, Xi é a China, Trump é os EUA. Rio e sei que não há nenhuma diferença. Não há diferença politica. Ha uma competição econômica no mundo.

Fiquei impressionada de ver quanto a China controla esse lado. Aliás muito o mundo.

Quem sabe da China sabe que o poder do ocidente é por poucos anos. A história da china é muito mais longa 🙂 Por isso Laos tem medo, Vietnã tem medo, Camboja tem medo, e há 3 anos em Burma ( Myanmar) já tinha medo.

Estamos vendo quantas construções de novos hoteis, trem, casas, estradas, cassinos por e para Chineses.

Você deve pensar. vc é contra o comunismo? Pois é a china tem medo de alunos interessados em comunismo. Vietnam é comunista e nao tem hospital publico, escola so não paga por militar.

Aqui em Camboja é um pais budista, como Tailandia e grande parte do Vietnam.

Eu passei a aprender sobre o Budismo porque tive a sorte de chegar na cidade da India quando Dalai Lama dava aula.

Dalai Lama não pede a ninguém a ser budista. Diz para aprender e ficar com oque fizer sentido.

O que tem o pensamento é mais profundo é compaixão. Compaixão não é ser bom. É se colocar no lugar do outro.

Talvez a coisa mais forte do budismo é nao deslocar a responsabilidade. Deve ser por isso que a China detesta Dalai Lama. Talvez por isso Thich nhat hanh foi mandado embora do Vietnam quando teve guerra.

Nenhum Monge de compaixão iria aceitar ser parte de guerra.

Tem muitas religioes que aprovam guerras, mortes. Como me contou aqui um senhor negro dos EUA que disse. “ Papa Nicolau V em 1452 abençoou a escravidão. Esse senhor diz que o Trump pelo menos mente menos que o Obama.

Esse senhor me impressiona. Trabalhou na Arabia Saudita, a China e tantos países. E sempre teve que lidar com racismo mas não reclama. Prefere falar da realidade. Contou que poucos falam com ele. Eu e o André adoramos falar e aprender dele.

Tenho tantas historias para contar.

Conheci uma mulher alegre e de perguntar aprendo que é da Malásia. Começou trabalhar com 15 anos para fugir de casa e achar trabalho. Ilegal mas ja conseguiu comparar casa, carro etc. Ja teve que cuidar de uma filha da amiga que ficou gravida e não podia contar à familia evangélica. Enfim cuidou até mais de um ano e a mae da criança nunca pegou de volta. Ela jovem obrigou o avô evangélico a saber e ajudar pois ela jovem tinha que trabalhar. Essa historia é enorme o mais profundo é com tudo de coisas horríveis aprendeu que esses valores” ter carro, casa, comprar muita coisa não significa é nada.

Partiu e virou voluntaria e morando simplesmente no Vietnã. Agora no Camboja, arrumou um simples trabalho de uma coisa que a deixa feliz. Amigos e não é sobre ser rica. O tanto de trabalho de competição trouxe dinheiro junto com tristeza. Na simplicidade vem a compaixão e felicidade que é independente de religiões, dinheiro. Relacionado a ser parte de ajudar o mundo a ser melhor.

Percebo que começo a estar voltando. Eu amo viajar não é pelos lugares, não é pela natureza. É pela chance de conhecer pessoas de todos do mundo. Nenhum preso por tradições.

Vejo como eu fico no telefone. Agora tentando menos.

Tenho dó dos jovens desse tempo de ser tudo sobre o tel. Não se vê mais como antes de estarmos presentes e aprender da vida. Não dos que escolheram ser presos numa tradição.

Amo ver os mais velhos que continuam viajando e arrumando micro trabalho para continuar indo. Desses se aprendem melhores historias , e as escolhas que tiveram e eu sempre tive.

Nao faz a menor diferença onde vc nasceu, em que classe, em que cor, que doença. O que mais faz diferença são as nossas escolhas.

Compaixão

Este domingo coisas me tocaram profundamente. Fui ouvir João Carlos Martins. Enquanto esperava minha prima chegar, eu e André não entramos. Ficamos por fora e veio do nada um senhor que mora na rua, falar comigo.

Eu e o André nunca fomos pessoas que temos medo de falar com as pessoas da rua que não conhecemos, e que têm problemas na vida. Para mim sempre é melhor ouvir a estória. Esse senhor começou a falar que ele não era do reino de deus. Ele disse que era universal. Olhou para o André e disse que o conhecia de outras vidas. Falou uma palavra da Índia.

Aquilo que me tocou. O André nunca foi à Índia, mas eu amo a Índia. Não há meio termo. Ou ama, ou odeia. Eu amo a Índia apesar dos problemas profundos que há por lá. Como todos nós temos. Na Índia eu conheci Dalai Lama.

Dalai Lama não pede para ninguém virar budista. Pede para pegar o que fizer sentido. Dar valor à terra. Respeitar as opiniões do oposto. Quando esse senhor do nada me fez lembrar que agora o mundo está cansado de aceitar o oposto.

Quando fui ouvir o João Carlos Martins me lembrei que minha avó tinha contado que sua irmã era vizinha de praia da familia de João e que a sua mãe dizia que ele seria um grande músico. Minha avó contou que quando o viu, faz anos, ele contou de suas quedas e que era a ultima vez que tocaria. Neste domingo ele falou que precisamos estar no momento da paz. Isso me tocou. Ainda me tocou mais quando ele disse das suas perdas, e que quer tocar para sempre. Isso me toca. Todos nós já caímos e o duro é reconhecer a nossa queda, as nossas perdas e nos adaptar ao que é possível.

Nesse domingo eu fui a Paulista e de repente uma bela mulher diz Julieta!!!! Vc lembra de mim? Eu tentei, e disse que minha memória é tão fraca. Meu coma me fez esquecer, travar etc. Ela me disse que gostava de ler o que eu escrevo e eu nem imaginava. Ela me contou quanto a ajudei. Eu fiquei tocada e com vergonha de não conseguir lembrar. Marcamos contatos e fui perguntar desde quando nos conhecemos e ela me contou que era antes de eu ir morar em NY.

A minha maior dúvida dos meus dois comas era de como eu era antes. E de repente é de alguém que não me lembro que me conta de antes.

A vida é tão inexplicável. As vezes ajudamos muito uma pessoa e nem percebe, assim como as vezes machucamos sem perceber. Vai por todos os lados.

Estive falando com outros amigos e que estão falando de como está duro falar com as pessoas que vira uma briga. As ideias são sobre o oposto que não pode mudar. Talvez isso me faz lembrar Dalai Lama.

Aprendi ações e reações. Impermanência, paciência e compaixão. Compaixão muitas pessoas pensam que é bondade. Eu tive a sorte de conhecer Karmapa e Lama Lobsang que ensinava budismo na Europa. Virou meu amigo porque fui levar um presente que me deram da Índia para Europa. Virou meu amigo sem saber me pedir para eu virar budista só me dizia coisas que realmente me mudou. Lama Lobsang me explicou que compaixão não é bondade. Compaixão é se colocar no lugar do outro. É não deslocar o problema ou o sofrimento a outro lugar, é pensar na ação e não reação. Conheci muito lama lobsang. E ele partiu. E eu sempre ficando aprendendo sobre o budismo.

Um dia como já contei para tantos, um homem estava armado do lado de outro sem arma, em Belém do Pará. Eu tentava achar a casa da avó de uma amiga. Vi parei e pensei. O que faço? Lembrei do que o homem tinha me dito um dia anterior, jamais devia usar telefone na rua, que eu seria roubada. Eu no calor, com telefone, perdida parei e pensei se cruzo .carro para dois lados…. morro. Se corro eu estou dizendo “Vc é ladrão.” Resolvi falar com o homen armado. Fui andando sem olhar a arma dizendo a verdade.

“Estou perdida, estou tentando ir visitar a avó da minha amiga que não consegue viajar para vê-la, estou perdida.” Ele ficou chocado, eu imagino e disse que ele não era dessa cidade. Eu disse “Então você é como eu. Perdido. Quer usar o mapa no meu telefone? Eu não desejo a ninguém ficar perdido nesse calor.” O homem ficou chocado levantou o rosto e abriu o olho e me perguntou o meu nome e disse que não precisava e o amigo disse que eu estava indo certo e que eles não tinham visto a rua que eu buscava. Perguntei se não quiseram pegar meu telefone mas não e eles atravessaram a rua, e eu morri de medo que eles fossem ser atropelados.

Dei três passos e veio a adrenalina de ver o risco que tinha tomado. Fui num lugar comprar água e uma senhora começou a dizer que eu estava nervosa, perguntou se eu estava bem. Quando contei o caso, a mulher ficou revoltada. Me contou de quantos são mortos, assaltados por ali. Eu fiquei chocada da raiva que ela sentiu mas ouvi. De repente um senhor que ouviu tudo, disse do nada

“Ela é sabia. Deu uma possibilidade de bondade para alguém que não conhecia.”

Isso é a compaixão. Esse senhor não é da Ásia que eu amo. Ele era um senhor que sabe o que é perder, sabe o que é lidar com o que é possível. Por isso eu amo a Ásia, por tanto dar valor por envelhecer.

Envelhecer é como o senhor da rua, como o músico, minha avó, e eu, é aceitar os erros das perdas.

André e eu vamos para Ásia para ele conhecer. E espero que na nossa vida sempre nos coloquemos no lugar do outro em vez de só criticar o diferente. O nosso momento está evoluindo. Alguns voltando aos egoísmos do passado, e outros evoluindo para compaixão. Assim é o tempo. Como aprendi é Impermanente, e o nosso mundo, como disse o senhor da rua, é universal. O sol está de todos os lados.