Compaixão

Este domingo coisas me tocaram profundamente. Fui ouvir João Carlos Martins. Enquanto esperava minha prima chegar, eu e André não entramos. Ficamos por fora e veio do nada um senhor que mora na rua, falar comigo.

Eu e o André nunca fomos pessoas que temos medo de falar com as pessoas da rua que não conhecemos, e que têm problemas na vida. Para mim sempre é melhor ouvir a estória. Esse senhor começou a falar que ele não era do reino de deus. Ele disse que era universal. Olhou para o André e disse que o conhecia de outras vidas. Falou uma palavra da Índia.

Aquilo que me tocou. O André nunca foi à Índia, mas eu amo a Índia. Não há meio termo. Ou ama, ou odeia. Eu amo a Índia apesar dos problemas profundos que há por lá. Como todos nós temos. Na Índia eu conheci Dalai Lama.

Dalai Lama não pede para ninguém virar budista. Pede para pegar o que fizer sentido. Dar valor à terra. Respeitar as opiniões do oposto. Quando esse senhor do nada me fez lembrar que agora o mundo está cansado de aceitar o oposto.

Quando fui ouvir o João Carlos Martins me lembrei que minha avó tinha contado que sua irmã era vizinha de praia da familia de João e que a sua mãe dizia que ele seria um grande músico. Minha avó contou que quando o viu, faz anos, ele contou de suas quedas e que era a ultima vez que tocaria. Neste domingo ele falou que precisamos estar no momento da paz. Isso me tocou. Ainda me tocou mais quando ele disse das suas perdas, e que quer tocar para sempre. Isso me toca. Todos nós já caímos e o duro é reconhecer a nossa queda, as nossas perdas e nos adaptar ao que é possível.

Nesse domingo eu fui a Paulista e de repente uma bela mulher diz Julieta!!!! Vc lembra de mim? Eu tentei, e disse que minha memória é tão fraca. Meu coma me fez esquecer, travar etc. Ela me disse que gostava de ler o que eu escrevo e eu nem imaginava. Ela me contou quanto a ajudei. Eu fiquei tocada e com vergonha de não conseguir lembrar. Marcamos contatos e fui perguntar desde quando nos conhecemos e ela me contou que era antes de eu ir morar em NY.

A minha maior dúvida dos meus dois comas era de como eu era antes. E de repente é de alguém que não me lembro que me conta de antes.

A vida é tão inexplicável. As vezes ajudamos muito uma pessoa e nem percebe, assim como as vezes machucamos sem perceber. Vai por todos os lados.

Estive falando com outros amigos e que estão falando de como está duro falar com as pessoas que vira uma briga. As ideias são sobre o oposto que não pode mudar. Talvez isso me faz lembrar Dalai Lama.

Aprendi ações e reações. Impermanência, paciência e compaixão. Compaixão muitas pessoas pensam que é bondade. Eu tive a sorte de conhecer Karmapa e Lama Lobsang que ensinava budismo na Europa. Virou meu amigo porque fui levar um presente que me deram da Índia para Europa. Virou meu amigo sem saber me pedir para eu virar budista só me dizia coisas que realmente me mudou. Lama Lobsang me explicou que compaixão não é bondade. Compaixão é se colocar no lugar do outro. É não deslocar o problema ou o sofrimento a outro lugar, é pensar na ação e não reação. Conheci muito lama lobsang. E ele partiu. E eu sempre ficando aprendendo sobre o budismo.

Um dia como já contei para tantos, um homem estava armado do lado de outro sem arma, em Belém do Pará. Eu tentava achar a casa da avó de uma amiga. Vi parei e pensei. O que faço? Lembrei do que o homem tinha me dito um dia anterior, jamais devia usar telefone na rua, que eu seria roubada. Eu no calor, com telefone, perdida parei e pensei se cruzo .carro para dois lados…. morro. Se corro eu estou dizendo “Vc é ladrão.” Resolvi falar com o homen armado. Fui andando sem olhar a arma dizendo a verdade.

“Estou perdida, estou tentando ir visitar a avó da minha amiga que não consegue viajar para vê-la, estou perdida.” Ele ficou chocado, eu imagino e disse que ele não era dessa cidade. Eu disse “Então você é como eu. Perdido. Quer usar o mapa no meu telefone? Eu não desejo a ninguém ficar perdido nesse calor.” O homem ficou chocado levantou o rosto e abriu o olho e me perguntou o meu nome e disse que não precisava e o amigo disse que eu estava indo certo e que eles não tinham visto a rua que eu buscava. Perguntei se não quiseram pegar meu telefone mas não e eles atravessaram a rua, e eu morri de medo que eles fossem ser atropelados.

Dei três passos e veio a adrenalina de ver o risco que tinha tomado. Fui num lugar comprar água e uma senhora começou a dizer que eu estava nervosa, perguntou se eu estava bem. Quando contei o caso, a mulher ficou revoltada. Me contou de quantos são mortos, assaltados por ali. Eu fiquei chocada da raiva que ela sentiu mas ouvi. De repente um senhor que ouviu tudo, disse do nada

“Ela é sabia. Deu uma possibilidade de bondade para alguém que não conhecia.”

Isso é a compaixão. Esse senhor não é da Ásia que eu amo. Ele era um senhor que sabe o que é perder, sabe o que é lidar com o que é possível. Por isso eu amo a Ásia, por tanto dar valor por envelhecer.

Envelhecer é como o senhor da rua, como o músico, minha avó, e eu, é aceitar os erros das perdas.

André e eu vamos para Ásia para ele conhecer. E espero que na nossa vida sempre nos coloquemos no lugar do outro em vez de só criticar o diferente. O nosso momento está evoluindo. Alguns voltando aos egoísmos do passado, e outros evoluindo para compaixão. Assim é o tempo. Como aprendi é Impermanente, e o nosso mundo, como disse o senhor da rua, é universal. O sol está de todos os lados.

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Como é duro estar presente.

Dias desses, eu vi um vídeo sobre o fato de que esse tempo que estamos vivendo é de alto vício a internet, ao telefone, ao facebook, whatsapp, e isso me tocou.

Já sabia. Mas me fez lembrar de uma amiga que tem um restaurante e de que ela tinha me contado algo. Sempre faço perguntas.

Sempre pergunto as pessoas o que as tocam.

Minha amiga disse que para ela, era ver pessoas que iam ao restaurante e que todos ficavam no telefone. Aquele dia decidi que ia tentar sair disso.

Tenho visto que é considerado uma doença, um vício e que tantos jovens estão doentes. Estão sempre fora do presente.

Resolvi não usar telefone por 3 dias, e então percebi que é verdade. Estou viciada no telefone e tentando me libertar.

Portanto estou eu aqui tentando escrever. Do segundo em que comecei tive que olhar para o presente. Como é duro estar presente!

Eu estive em coma duas vezes. Já tive as perdas, e até no coma estamos nos deslocando.

Lembro do meu último coma, e desde que eu passei por ele, todos os países no qual estive estão meio misturados. Me toca, pois lembro do lugar da música que apesar de eu saber que existe não sei onde.

O cérebro é algo muito complicado. Nesse meu tempo buscando estar no presente vejo minha avó lendo, e o André também. Porque será que ler, dançar e outras coisas do gênero não são consideradas vício?

Lembro-me que uma vez fui fazer Vipassana. Já que minha mente não está com boa memoria e tento não usar internet, escrevo do que me lembro…

Aprendi que fazer Vipassana era comum entre os Budistas e que é para conhecer a realidade e estar presente.

Pelos mistérios da vida eu fui à Índia, conheci e tive ensinamento com o Dalai Lama. O Dalai Lama nunca pede para ninguém ser Budista. Ele diz que é mais fácil não mudar de religião, e que se pode pegar do budismo o que fizesse sentido .

Conheci a Denise na Índia e fui com ela conhecer o Karmapa. Eu não sabia quem era ele, mas aprendi que era considerado HH (his holiness) como Dalai Lama. HH é muito importante para os Tibetanos. Fui sem saber, achando que era um encontro com muitas pessoas. Denise com a Rita, me levaram a um encontro privado. Eu, ateia tentei aprender e ser educada, fazer as coisas corretas.

Denise me lembrou esses dias que o Karmapa conversou diretamente por um longo tempo comigo e disse que eu ficaria bem e que ele estaria sempre comigo. Eu a ateia na hora não me toquei. Isso anos antes do meu primeiro Coma.

Karmapa á algum tempo atrás declarou que esteve deprimido . Minha admiração por ele por aceitar demonstrar nossa humanidade em comum me fez aumentar ainda mais a admiração por ele.

Via a Denise, conheci Lama Lobsang Dargye , que ensinava budismo na Europa e virou meu amigo. Quando estou quase indo para o retiro de Vipassana recebo as explicações de como seria. Eu já tinha me inscrito umas 9 vezes e cancelado por medo.

Não poderia ficar uns 10 dias sem telefone. Sem falar, comendo pouco, podendo apenas meditar, andar. Eu sempre me inscrevia e cancelava.

Quando fiquei amiga do Lama Lobsang , mais uma vez eu tinha feito a inscrição para esse retiro e mais uma vez estava desesperada. E ao encontrar o Lama Lobsang , esperava que ele me dissesse palavras boas de motivação e incentivo para fazer o retiro de vipassana, para minha surpresa ouvi o oposto:

“ É duro e difícil, não é fácil , é duro estar presente. Ou seja vá!”

Esse é Lama Lobsang meu amigo, Lama Tibetano que já partiu da terra.

Lama Lobsang me ensinou tantas coisas e graças a minha amiga Denise, que me deu tudo isso, também me disse que eu devia escrever.

É verdade que eu aprendi muito pelo mundo e o mais duro é estar presente.

No retiro de Vipassana , la pelo terceiro dia eu quis partir. Vou falar e explicar. Decidi deixar o retiro e fui conversar com uma senhora da organização. Disse tudo de filosofia, antropologia política que sabia para essa senhora. Explico todas as razões do mundo que haveria para justificar minha partida. Ela não diz nada. Eu penso que talvez ela seja burra, não educada, coloco tudo que havia para ser dito e ela se manteve em silencio e me diz apenas: “ É duro estar presente.”

Me lembro que aquilo me fez quase cair. Por orgulho decidi que ia ficar, para provar no final que era fácil. Como foram duros os dias!

E de repente eu comecei a ver as flores que caíam. As que nasciam. Eu dividia o quarto com uma moça e fiquei menstruada, tive cólica e sem dizer nada a menina do lado deixa de forma natural um remédio para cólica. Aquilo me tocou muito. Não havia reclamações, estávamos presentes.

Ficamos até o fim, e vimos tudo que se passava com o outro. Pessoas de várias idades. Em silêncio dava para ver quão duro era, e variava o nível de dificuldade de um para o outro. No final as pessoas foram liberadas para começar a falar e nos abraçamos, e eu podendo falar fiquei em silencio por profunda admiração. Você pode imaginar que então ficou fácil.

Quando voltei para o Brasil fui fazer o retiro de Vipassana novamente e parti. Me contei que era de uma qualidade pior. Hoje me dou conta que aquilo foi mais uma vez uma fuga de estar presente.

Acharam que meu coma foi devido á epilepsia e por anos tentaram descobrir porque? Hoje dizem que é encefalite autoimune.Escrevo tudo isso porque tento não usar a internet. E o que acontece? Volto ao presente. É duro mas vale muito.

Vovó e minhas idéias controversas.

Vixe consegui escrever ontem e contei toda a história da minha grave queda, mas hoje vou falar de outras coisas da minha avó.

Primeiro quero contar do presente e passado. Um dia conheci HH Dalai Lama e lá ouvi ele dizer que não estava falando para virarmos budista. Devíamos dar valor onde estamos pois é mais fácil e pegar o que achar que faz sentido do Budismo. Eu peguei tentar a paciência, compaixão e impermanência.

Com o tempo fui conhecendo muitos Tibetanos falando de ações e reações. Acima de tudo aprendi sobre em vez de descolocar problemas, aprender ser presente e se auto avaliar.

Eu passei por tudo. Oriente Médio, África, Ásia Europa e América. O mais duro é estar presente e ser presente sem deslocar o problema para algo. Também aprendi que cada pessoa tem um caminho, cada um tem uma língua, personalidade e, portanto, mais fácil aceitar as pessoas como são em vez de dar culpa em ninguém.

Enfim vim contar tudo isso para falar da minha avó Lucia que sempre foi católica e sempre foi paciente. E apesar de eu ter sido ateia, budista etc. etc. nunca me forçou nada. Sempre deixou eu ser como eu sou.

Minha avó tem 93, quase 94, e um dia ficou com artrose, depois Herpes Zoster, Perdeu a visão de um olho e de repente no natal, do ano passado minha avó quebrou a perna. Operou e ficou num quarto. Tudo foi deslocado para seu quarto. Empregadas ficavam no quarto e minha avó sentava na cadeira para ver televisão e ler.

Minha avó sempre fez ginastica, sempre leu, sempre gostava de ler em várias línguas e se adaptou a ficar no quarto.

Minha avó é calma e eu, sou muito brava.

. Resolvi em poucos meses dizer a minha avó para colocar um chamador e ela chamar quando quisesse algo, pois pensei que minha avó devia se sentir bem.

A história é longa. Minha avó fazia tudo nesse quarto e eu disse

“Vó, você não é tetraplégica, não é prisioneira, volta para o resto da casa.”

Minha avó disse que ela tinha 93 anos e eu não entendo. Eu disse

“Vó, você consegue ler e eu travei. Eu no meu coma perdi o andar, o olhar o falar, o memorizar, lembrar. Você sabe ler, sabe falar e consegue andar. Pode dizer a qualquer pessoa, menos para mim. Se você acha mesmo que é ótimo ficar como uma prisioneira num quarto eu vou embora e volto ao Peru, mesmo não me sentindo muito bem.”

Minha avó começou a ver que estava melhor e quis vir comer na mesa. Portanto começou a andar. Quando vovó pedia para alguém escolher a roupa eu fiz minha avó olhar as roupas dela e ela escolher. Minha avó então quis até ver seus sapatos. Começou a querer ver suas amigas. Foi convidada para uma festa de 90 anos de uma amiga da ginastica. Fomos e ela adorou. Começamos a ir a restaurantes.

Voltamos tudo para sala quando o Andre voltou, minha avó só deixou quando o André voltasse. Eu pedi férias dele para nós aproveitarmos a vida. Nunca sabemos o quanto vamos viver. E eu que já quase morri duas vezes sinto profundamente que devemos dar valor ao que temos do nosso lado e nem damos valor até perder.

Eu não tenho medo de morrer. Eu só não quero ser dependente e deslocar problemas. Por isso já disse aos meus pais e Andre que se eu quase morrer, me deixe morrer não lute tanto porque me querem por perto. Não digo porque eu não amo a vida. Eu amo a vida que estamos presentes, não prisioneiros e com medo de morrer.

Também sei que cada um tem um caminho. Só digo tudo isso pois eu sei que minha avó agora está feliz. Minha avó foi ouvir música clássica comigo e Andre. Minha avó adora sair.  Sei que tem muitos que pensam que deve deixar fechada para viver mais, mas nunca vou achar isso já tenho passado por isso.

Minha avó é a pessoa que mais amo no mundo e por isso queremos festa, musica e prazer, e nem minha avó nem eu temos medo de morrer. Eu sei porque eu fico com minha avó. Por isso digo a todos se tem alguém ao lado não ponha para baixo. Não tire os valores, os sonhos por causa do seu medo. Lide com o seu.

Quando os outros deslocam os seus medos o valor da vida também parte.

Tudo que eu escrevi aqui minha avó leu.

QUE O BRASIL NAO TERMINE COMO A VENEZUEL

venezuelaVoltei ao francês, as aulas de francês, onde tenho que contar historias.

O professor ficou impressionado de eu pagar para falar uma lingua que ja sei. Tento voltar.

Por isso, voltei as historias da minha vida 🙂

Hoje me lembrei do meu profundo amor pela Venezuela. Hoje quando vejo tanto ser falado da destruição dos políticos , Penso na venezuela.

São tantas pessoas que pensam que foi o comunismo que destruiu a Venezuela. Eu tenho uma visão que se relaciona ao mundo. Eu e o André, atravessamos o país e fomos prestando atenção que não vimos nada de construção, de fazendas, de arvores, foi ficando claro no supermercado que tudo era importado.

Para comprar era necessario entrar numa fila. Fiquei impressionada de saber que dependiam de vender óleo. Por isso, dependiam do valor, em outras palavras, dependiam do dólar. Agora, quando vejo tantas brigas na politica, penso que nunca precisamos disso, depender do dólar. Em outras palavras, precisamos defender a Amazônia e a auto produção. Destruir as montanhas, as águas, as vegetações, leva o que já vemos: A mudança do tempo, no mundo.

Torço para que o Brasil não fique como na Venezuela, mas mais profundamente, eu penso no mundo. Espero que nunca ficamos dependentes de uma unica produção. Espero que independente de que lado de vida política tenhamos, tenhamos mais compreensão do que destruiu a Venezuela. Nunca  acredite que foi só político .

Monte Roraima

O belo monte Roraima continua lá, já meus amigos venezuelanos tiveram que partir. Estão sem dinheiro, sem trabalho. Os que conheço e que ainda estão na Venu, me escrevem dizendo que estão tentando  partir.

Espero que independente da nossa percepção política, respeitamos a terra, a água, a natureza.

Que sejamos autossuficientes, que respeitamos a terra.

As palavras do caminho

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Ano passado estava morando uma parte do ano no Peru. Com tanto tempo em coma e tempo de pensar, pensei no passado e no presente.

Lembrei de como fui parar pela primeira vez no Peru.  Faz anos, e foi quando comecei a viajar sozinha.

No começo era com o meu amigo Sho. Sho nasceu no Brasil, mas sua família é da Índia, e foram morando por todas as partes do mundo. Eu o encontrei nos estados unidos. Acho que nunca vou me esquecer de quando o conheci. Ele me perguntou o que eu faria se estivesse numa casa que estava no desastre de pegar fogo.

Eu respondi que buscaria as pessoas e sairia.  Ele me perguntou o que eu faria se tivessem bichos esquecidos. Eu, na minha frieza! Disse que deixava a lei da natureza. Perguntei a ele se ele teria se esquecido dos animais.

Ele me disse que pensaria no valor da vida que disse, “era independente de como nasceu””.

Anos depois, minha amiga Luciana esteve na situação de incêndio. Eu morava na Europa e ela manda mensagem que tinha voltado para ajudar as pessoas. E o fogo ia fechando todas as saídas e minha amiga teve que pular para sair com os outros com alto risco. Aquilo me tocou muito. Quando pensamos sem saber, sem ter passado por aquilo.

Sei que Sho era assim. Sempre será meu amigo com e a Lu pela enorme generosidade que tem.

Só sei que é viajando com ele, o Sho que começam minhas viagens só. Estamos na Bolívia quando conhecemos uma senhora que não falava espanhol. Nás estávamos ali ouvindo a música. Somos só 3 pessoas para assistir a apresentação de umas cem pessoas. Até podemos cancelar mas a falta de dinheiro pedem para continuamos. Os do país quer que o pouco dinheiro paga por centenas de pessoas e que deve ajudar famílias. Então ouvimos a beleza da cultura da Bolívia.

Levanto e vou falar com a senhora pois ela está sozinha. Pergunto a ela o que está fazendo e ela me diz o que me mudou também.

“Já tenho mais de oitenta e viajo a cada 2 anos para mostras as minhas filhas que ficaram viúvas, que a vida não termina. Eu viajo para mostrar isso. Pego um guia local às vezes e continuo andando pelo mundo a cada 2 anos”

Eu fiquei tão impressionada e disse ao Sho.  Meu amigo. você precisa trabalhar, mas essa senhora me explicou que o Peru é lindo. Vou me separar de você que tem que trabalhar. E eu quero cruzar para o Peru.

Sho, meu amigo, achou que era ótima ideia. Ele já estava a viajar sozinho. La fui eu e descobri que não tem nada de ficar sozinha, quando vai com ninguém conhece melhor o lugar. Conhece as terras e os viajantes. Ali foi minha primeira vez ao Peru.

Essas palavras e ações foram e são muito importantes para mim.  Uma é sobre a confiança nos outros. De ver o melhor do outro. De si.

Tenho algumas falas que me tocam mesmo.  Minha amiga de Ubatuba por exemplo, teve um enorme sucesso com os hambúrgueres que faz. Perguntei a Camila 🙂 Perguntei:) o que mais vê no seu restaurante? E ela me disse: “pessoas que se sentam juntas e ficam no whatsapp”.

Meu deus como me tocou isso. Quantas vezes esquecemos o real para ficar no telefone? Quantas pessoas já não fiz isso 😦 Quantas vezes já não vi isso até criança para mandar mensagem para whatsapp da pessoa do lado. Que triste pensei… Quão perto disso estou eu? Falei para meu amor….. Chega pelo menos no almoço não vamos fazer mais isso. Quanto valor isso tem, essas palavras.

Feliz ano novo. Meu último ano foi difícil. Fiquei pela minha segunda coma, perdi minha avó Jandira, que já sofria fazia anos. Eu queria nesse ano da minha avó Lucia que me ajudou sempre mesmo quando era contra as coisas que eu fazia, eu viajar para lugar que não é na europa:]. Nunca me disse para não ir. Dava um saco de limpeza para eu ir para a Asia, a Africa. Jamais disse não disse para não ir.

Nesse ano, bem no natal minha avó caiu e se quebrou e teve que voltar ao Hospital. No começo não queria se operar. Dizia não tenho pressa de morrer, mas não tenho vontade de lutar pela vida.  Hoje diz que estava feliz que tinha operado. E gosta de viver, mas não tem medo de morrer

Minha avó não tem medo de morrer, mas gota de viver. Minha avó é como eu. Não temos medo de morrer, mas amamos viver.

Amamos estar perto de quem amamos e respeitamos. Desejo a todos o melhor da vida. Acima de tudo que respeitem que os caminhos dos outros são diferentes e sim espero que todos nós sejamos mais presentes.

Essa foto é minha volta na Birmania (Burma), que para onde fui depois  de uma travada no hospital. Fui para lá enquanto o André estava no Peru. Em Burma, Birmania voltei ao caminho de continuar! e é isso que me desejo profundamente. Não se entregue ao medo. Continuemos nossos caminhos.

Coincidências são uma profunda conexão

WhatsApp Image 2017-12-21 at 18.35.07Tive a sorte de eu encontrar a minha grande amiga Paula que me estimulou a continuar escrevendo. Ela é DJ e me contou que vai tocar num lugar palestino em São Paulo. Tiramos uma foto, postei e por sorte, meu amigo da palestina gostou. Falei com ele, e confessei que não conseguia me lembrar o nome de um amigo, aliás de quem tinha falado no último post. Depois de muitas perguntas, ele me disse que era Fayez.

Consegui encontrar minhas conversas com ele no facebook. Eu sempre gravo mensagens 🙂 então, vou e escuto o que tinha mandado e fico impressionada. Tenho vontade de contar a vocês .

Tive a sorte de ver o Dalai Lama, e até conhecer o Karmapa na India. Fiz uma amiga lá, Denise, que me pediu para eu levar roupas tibetanas para um lama que dava aulas de budismo na Inglaterra e na Europa.

É assim que conheço Lama Lobsang. Trago roupas e ele vem me encontrar na minha universidade, LSE. Assim ele começou o seu costume de vir me visitar e ensinar budismo na minha casa com Haiko e Alondra.

Sei que um dia tive um ataque epilético no Marrocos. Ali começou o caminho do meu desespero. Um dia, Lama Lobsang me convida para ir na sua casa. Confesso que não queria ir, e nem queria fazer nada. No entanto, penso que é uma burrice enorme não querer ir. Então pego um enorme tempo de passeio de enorme caminho de trem para chegar até lá. Vou e me lembro do meu coração de maneira nervosa. Chego na casa do Lama dizendo que tenho um problema grave. O meu cérebro tem algo grave. Ele ouve tudo mas não reage a nada. E me chama para ir à cozinha.

Me diz para eu sentar enquanto ele cozinha do meu lado. Ele joga, acho, era só agua e mais algum outro ingrediente e leva tempo. Não lembro de muito, apenas que não falou quase nada. E comemos. Aliás, antes de comer ele \’reza\’ e pensa em tudo que é necessário para comida chegar até nós. As pessoas que criaram, as que colhem, os que transportam, tudo. Aos que podem ter, e aqueles que não podem, que possam um dia ter. Lembro enquanto escrevo que tudo era tão calmo e tão conectado a tudo que existe e ali. Comemos, acabamos e ele me convida para eu ir à sala. Assim que levanto, me sinto tão bem e ele diz:

Você se lembra que estava desesperada?

Nossa, aquelas palavras me fazem lembrar o passado. Tudo que eu tinha sentido. Falei nervosa que era sério o que tinha. Tudo. E ele parou e disse. E só. E lembro agora me ouvindo contando de um Palestino. Eu acho Incrível, mas lá está o que ele me disse:

“Julieta você não lembra que você estava bem. Foi só uma única palavra para tudo voltar. Tudo é impermanente.

“Seu inimigo, os momentos mais difíceis são os seus amigos o verdadeiro momento que pode praticar a compaixão e a paciência”

Essas não são as minhas palavras. São de Lama Lobsang que já partiu da terra. É incrível que minha amiga Paula tenha me falado da Palestina e que nossa foto tenha feito voltar o contato de Fayez. Me fez lembrar que somos todos conectados. Tomara que tenhamos compaixão e paciência.

Tomara que diante das dificuldades tenhamos compaixão, paciência e, acima de tudo, penso que somos muito conectados uns aos outros. Espero ter melhores ações.

Beijos.

No caminho de volta de coma

Está sendo difícil passar pelo mWhatsApp Image 2017-12-16 at 15.50.46.jpegeu Coma.  Essa é a segunda vez e foi mais difícil medicamente que a primeira. A primeira foi na Tailândia e a segunda é no Brasil. E o que tenho que dizer é que foi difícil. Mas digo que para mim apesar das dificuldades sou grata por mil razões. É que é muito difícil de ler e escrever. Me faz escrever com mil erros.

Tenho tantas coisas para dizer. Primeiro ter ficado comigo mesma, sem ler, cantar, sem andar, tendo que passar com o enorme apoio da minha mãe e pai André, minha avó meu irmão…. Dra Karen. Dra Euthimia. Tantos amigos.

A primeira fundamental é dizer que saber várias línguas desde pequena ajudou meu cérebro a voltar. Voltou tão claro.  línguas distintas estimulam diferentes áreas do cérebro. VoItar a tocar também. Cantar e lembrar das músicas, até das minhas. Então eu abro o piano, o violão e vou tocando qualquer coisa, e no meu cérebro é claro tocou em outro lugar. Tudo vai voltando. Como eu amo agua, a praia, subir a montanhinha e perceber que o descer é mais difícil para não cair. Lembrar das Montanhas.

Sempre me vem minha amiga Leila Alaoui que sempre pensou nos outros e que foi morta.

Me faz tanto pensar nas mil ações do André, meu marido. Nunca fez poesia, nem músicas, mas me mostrou o sentido profundo da ação. André nunca se assustou com meu coma. Nunca me abandonou.  Sempre fez as ações do valor maior. O caminho eu acho é dos práticos, não nos de muitas palavras, não por maldade, mas pela língua: as palavras menos que as ações.

Desse meu tempo parada também me veio perguntas se eu sou religiosa. Passei por tantas… Tive a sorte enorme de conhecer o Dalai Lama, que disse que não pedia para vidar budista: pegue o que fizer sentido e de valor a todas as religiões. Eu que passei por tantos caminhos sou ateia e jamais diria para você ser ateia. Peguei muitas coisas do budismo, e gosto da ação e reação.  E com tudo isso eu me lembro de um amigo Palestino que me perguntou se eu cria em Alá.

Como eu poderia mentir? Disse que era ateia.  Senti medo da reação.  Para a minha completa surpresa ele disse: Você já teve dor? frio, calor, medo e foi por todos sentimentos etc… E então quando respondi sim para tudo ele me perguntou: você se sente sozinha ou com alguém? Eu parei e fui responder na verdade as vezes com alguém as vezes eu estou sozinha. e ele me disse o que nunca me esqueci.

Vou rezar para você nunca se sentir só.

Aquilo me tocou, mas não me deu Alá ou deus ou qualquer um, mas a talvez meu coma tenha me dado essa percepção de que nunca estou só. Não digo que você deva ficar em coma 🙂 Mas sim perceba e sinta que tem algo ao seu lado. Perceba tantas áreas do cérebro. Utilize. Caso fique mal que haja. Dê o nome que quiser, mas dê valor a vida, a terra como os indígenas. Cada passo e como aprendi com o André faça a ação.

Por isso sou grata a meu coma. Talvez tenha sido o necessário para eu ver o que está do meu lado. Eu adoro conhecer mais pessoas na terra. Sou tão grata a isso, mas agora dou mais valor a mudança. Como disse Umberto eco e Carlo Martim “Em que creem os que não creem”, eu diria, dê valor a todos, todas a línguas, religiões, e acima de tudo às ações.

Por isso me faz lembrar das pessoas que tem melhores ações. O que tenho do meu Coma é que os próximos anos sejam de melhores ações. Desejo a todos melhores ações.