A impermanência e conexão de tudo. Em Lima.

Sua Santidade Dalai Lama estava por esses dias em Ladkah que é uma região no norte da Índia. Um lugar muito bonito que passei um bom tempo numa das vezes que fui para a Índia. Um lugar de profunda manifestação budista e de montanhas.

Recebi uma foto dele lá que dizia
 “Quando viajo pelo mundo e conheço pessoas, sempre me considero eu mesmo como apenas um dos sete bilhoes de seres humanos que vivem hoje. Não me penso como un tibetano ou um budista e nem sequer como o Dalai Lama. Tenho muitos amigos porque trato a cada um como outro ser humano. Se pensasse en mim como alguem especial, ou como ol Dalai Lama, nao teria amigos.”

~ Sua Santidade Dalai Lama (em Ladakh 9 de agosto el año 2016
Li isto tudo aqui em Lima. Pensei das suas palavras quando o vi pela primeira vez ao vivo em McLeod Ganj. Quando ganhei naquele dia uma grande amiga. Sua SS disse que devíamos pegar do budismo o que fizesse sentido. Que deveríamos dar valor as nossas culturas. Tantas outras coisas. Já a minha amiga é a Denise. A Denise me levou para conhecer SS Karmapa. 


Levei suas roupas de monge para o Lama Lobsang na Inglaterra. Assim ela me deu de presente um amigo tibetano lama que vinha a minha casa e eu na dele e que ele me ensinava tanto sem eu nem perceber.

Depois ela me convidou para ir conhecer Lingtrul Rinpoche e lá fui eu. E lá estva eu calada escondida num canto. Tinha ido para ver a Denise. Fivcava na casa desse lama e ria com ele.


 Nos dias de ensinamento eu nem ouvia muito. Num tal certo dia entrei no canto e lágrimas saíram dos meus olhos. Eu não o via, nem ele me via mas imediatamente disse. “Quando de repente choramos diante de um lama de quem nem sabemos muito é porque já nos conhecemos há muito tempo.” Nesse mesmo dia ele explicou que no outro final de semana daria refugio no budismo. 

Eu não estaria lá. E nesse mesmo dia ele muda de ideia e me chama e eu a maior atéia e descrente do mundo sem saber nada do protocolo fui e tomei refugio no budismo. 


Eu que já tinha me inundado de lagrimas diantes de SS Karmapa.


Imagino que se perguntem porque falo disso aqui de Lima. Pois é fui parar no ensinamento budista de um Tulku que foi bem onde vi o sofrimento de Marriane ( de quem falei no ultimo post). 

Minha ação imediata foi mandar mensagem de WhatsApp para a Denise. E a Denise estava no Tibete. Mando fotos do passaporte da Marriane e ela diz que reza. Me manda uma mensagem contando que Lama Tashi Sonam Tulku Rinpoche tinha se tocado e que a colocaria Marriane na sua Mandala. Me manda fotos do Tibete.

 
Isso se dá durante a semana passada. E eu sou convidada para almoçar com Isabel que levaria o Chamtrul Rinpoche para passear e almocar na sexta. É por esse lama que Marianne está apaixonada. Nesse dia descubro que Chamtrul não nasceu no Tibet. É um bom professor mas na prática não parece se tocar pela Marianne que o segue. Não tenho tanta vontade de ir ao seu ensinamento mas me dou conta que na minha casa ficou  cartão de credito da Marriane. Entao vou.
 
Chego e Marriane não está lá. Chega e eu peço para falar com ela. Sáimos e digo para ela que tenho seu cartão. Ela fica muito feliz porque já estava sem dinheiro. Conto a ela que ela não está sozinha que Denise, eu e o seu Lama Tibetano no Tibet já a colocou numa mandala. Todos somos conectados. Na hora do almoço dizem em espanhol que se pode almocar com o Chamtrul Rinpoche.
 
Digo a Marriane que pode comer com o Chamtrul ou se quiser comigo e o André no Germinando Vida. Ela dúvida se ela pode mas resolve ir tentar comer com ele. Tiramos uma foto juntas porque eu queria te-la. Partimos no sábado e ela ainda parece sofrer.
Domingo André e eu vamos ao ensinamento. Ela chega mais tarde e não consigo falar com ela. Fala-se de compaixão e talvez do meu lado julgador ache a fala em teoria boa, na prática deixa- a desejar. 
Proponho ao André ir Andar no belo sol que se apresenta em Lima. 


Saímos antes para voltar depois do almoço. Volto em casa e me lembro da blusa laranja que tinha deixado num saco para devolver a Marriane. Andamos mais de 11 kms no belo dia que se apresentava.

Quando voltamos para o ensinamento a Marriane não está lá. Chamtrul tinha dito que daria refúgio no budismo no final da aula. Eu sei que não quero tomar refugio nele. No entanto me espanto que Marriane não esteja lá. Procuro os organizadores que me dizem que ela resolveu voltar para Suiça.
 
Pergunto se ela estava bem. Disseram que sim. Saio andando com meu saco e a blusa laranja. O coloco na ponte entre Miraflores e Barranco para que alguém que precise a pegue. Volto com uma metade de fé e esperança que tenha voltado e que esteja bem. Sei que sua conexão com Chamtrul se quebrou. Isso pode significar que já não tenha mais fé em nada e que tenha desistido. Existe esse pedacinho em mim de preocupação.
 
No outro, existe uma profunda fé de que ela tenha rompido esse ligação com Chamtrul e não se sinta só. Que em alguma parte da sua mente saiba que muitas pessoas agora rezam por ela. Eu a atéia fundamentalista passeei com o Chamtrul e Isabel na sexta e fomos a uma igreja. Eu ajoelhei na frente de Jesus e pensei.

 
“Jesus, nem se quer o conheço tao bem assim. Proteja a Marriane.”
 
No sábado mandei a foto da Marriane lá para Denise. La no Tibete. No fundo do meu coração a única coisa que realmente sei é que somos conectados. Nossas ações e reações são imediatas. Precisamos aprender a pensar menos no nosso ego. 
Precisamos aprender a ver o melhor da realidade. Aprender o que existe de verdadeiro valor dos momentos mais difíceis ? A vida é curta. Não devemos nos vitimar. Não devemos julgar. Não adianta. Temos que aprender a aceitar o outro como ele é. Ajuda-lo a ter mais consciência.

Lama Chamtrul é a sua versão do que há de possível e melhor e deve ajudar muitos. Todos nós temos um papel nessa vida. Vez ou outra nos damos conta que deixamos um mal passo. 

Até no budismo tem uma visão do medo. Aja assim pelo karma. Essa não funciona comigo. Tudo que fazia não era por medo. E nem se quer entendo porque o medo é uma ferramenta tão usada por tantas religiões. 

A outra é uma certa forma de egoísmo. Faça o bem porque vc se sente bem. Talvez sejam discursos para encontrar o caminho.

O que sei do fundo da minha alma …e lagrimas saem dos meus olhos é quando me dou conta que somos unidos e não separados. 
Nenhuma dessas mensagens ( medo, ganhos) fazem sentido, parecem só mascaras e atalhos para a profunda realidade da nossa conexão. Da impermanência da vida. Da maravilha que é a vida seja lá qual momento estamos. Desse momento nos temos certeza.

Como SS Dalai Lama a cada dia me sinto apenas um dos muitos milhões de seres humanos. Todos nós com momentos falhos e outros melhores. Todos. Desejo que todos nós fiquemos nos atos melhores. Que são sinapses melhores. Que são dádivas da existência humana.

Minha avó tinha me dito para comprar um quadro feito à mão . Fui olhando tantos e quando chegou Esse na minha mão, era ele. Não sabia explicar por ser tão diferentes de todos. É um rio. É o sol. Sao as cores. É Como dizem mesmo a Agua flutua, tudo é impermanente. Cada lugar em segundos já mudou.


Julieta de Toledo Piza Falavina

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Escorregar mas não cair no fundo do poço.

Já foram tantos lamas, e monges que já ouvi que nem sempre sei de onde foi que veio uma certa informação. Só sei que  uma certa vez me foi dito que devemos ser compassivos, conscientes na busca da iluminação mas com cuidado.  Pois mesmo quando nos cremos conscientes e compassivos podemos nos afundar por não percebermos os nossos limites. Acho que a parábola era de alguém muito elevado que resolvia tirar alguém da bebida e senta-se para beber junto o tal perdido. E claro, uma vez alcoolizados os dois perdem a consciência

 

Estou no Peru. Feliz com o Doutor Pan. E ainda descobri que Chamtrul Rinpoche vinha dar aulas aqui.  Chamtrul é um Tulku Tibetano.  Passei das 10 da manha do sábado as 7 nas suas aulas e não é que no final uma menina Suíça resolve fazer uma pergunta. Todo o tempo falamos de meditação e de física. E ela pergunta “O que se deve fazer quando tenho tanto ciúmes que quero matar o homem por quem tenho tanto ciúmes. “

 

Todos ficaram surpresos. E eu comecei a falar com a senhora ao meu lado, Isabel, que era budista. Tinha lido muito Mathieu Ricard.  Tinha feito inúmeras anotações.  No domingo volto ao centro e tinha pensado toda a noite sobre a menina que era claramente descontrolada e sofria. Na hora do almoço Isabel me convidou para  almoçar com ela e o Rinpoche e mais algumas pessoas e eu na hora pensei que devia procurar a menina porque ela precisava de ajuda.

 

Comemos juntas, ela é uma bomba para explodir e tendo de um tudo. Ela quer ir no seu hotel e quando vamos lá a recepcionista diz que ela tem que partir do hotel. Pede para falar sozinha mas  “M” diz que posso ouvir tudo. Então eu realmente não sei o que fazer e digo. Venha para minha casa.  Assistimos mais horas de ensinamentos tibetanos. André éstá em Juliaca e tem Soroche. E eu a trago a minha casa.

 

Faço algo para comer, cha e abro uma cama para ela na sala. Mostro para ela o banheiro da sala e conversamos. Ela me conta que seu ciúmes era do Rinpoche, me conta dos seus sentimentos do abandono, dos seus pensamentos  de suicídio. Me mostra a sua arte. E quando vai tomar banho acredito que está mais calma.

Antes tinha falado com ela, falo de Dostoyeviski dizendo pela voz de Alyosha que Dmitri está menos longe do caminho da evolução pois conhece a raiva,  o ódio etc. Vou dormir e então enquanto eu não me surpreendo tanto por ela ter tido pensamentos de morrer, porque já os tive e nunca mentiria sobre isso. Nunca tinha estado do outro lado com a preocupação que alguém se matasse, ou morresse do meu lado. Seu banho não terminava. Quando termina ela sai metade pelada e vem ao meu quarto, deita ao meu lado. Eu observo. Ela de repente desperta e não sabe onde está. Quer ir atrás do Rinpoche.

Digo para ela que esta semi nua e ela sai assim mesmo. Desço para portaria e a vemos nas câmeras.  Vamos atrás dela. Ela volta a minha casa e coloca calças e sai. O porteiro me avisa que saiu descalça.

André chega as 2. Ele está cansado e eu me lembro da parábola e  penso que tenho que dormir.  Finalmente pelo menos tinha deixado a porta fechada e a chave com o porteiro para o Andre, só para o André. Tão difícil foi.  Só quando o Andre chega que eu durmo. Acordo ligo para a embaixada da Suiça.

Sabem que ela é um caso estranho.  Ligam de volta e me dizem que posso levar todas suas as coisas para lá. Eu tinha pedido para fazer isso.  Ficaram na minha casa malas, computador passaporte, toneladas de remédios, pinturas, câmera, 5 malas que não abri, não investiguei, só procurei seu passaporte. Tudo que falei era porque estava no chão. Não é da minha personalidade mexer nas coisas dos outros.

Tomo um taxi e quando estou quase lá me ligam da embaixada para me dizer que ela apareceu la. Se quero ou não vê-la. Sei que não posso cura-la mas também sei que não devo ignora-la. Desço e falo com ela.

Está de olho roxo, pé queimado, machucado.  Me olha e diz:

 

“Vamos tomar chá Julieta?

“ Desculpa M eu não consigo. Eu fiquei preocupada,  faz 12 horas que você desapareceu.  Trouxe todas suas coisas para cá e não consigo mais te hospedar e acredito que você tem que voltar ao seu país.”

Conto tudo que se passou com ela. Ela faz perguntas. Ela chora.  Ela pede desculpas. Conta que bateu nos policias. Que brigou na rua. Entende que não posso hospeda-la. Diz que não tem dinheiro para voltar.

Chamo a moça da embaixada para dizer a ela que basta ela dizer que quer votlar.  M sabe disso e confrontada chora. Diz que tem medo de voltar. Não quer psiquiatras. Não quer tratamentos. “Por que sou  tão abandonada?” Percebo que ela quer meu amparo e me lembro que viro o quase iluminado que bebe. O indígena que manda não tirar alguém do buraco pois cai de novo.

Esse foi o ato mais difícil dizer que não ia poder ajuda-la. Ela aceitou com uma dor evidente. E eu parti e liguei para o Andre que foi comer comigo. E eu liguei para Dra Euthymia que me mandou uma mensagem que me trouxe mais amparo. Peguei um taxi e fui ao centro do Dr. Pan.

 

Todo o meu caminho pensava que sou grata por ter Dra. Euthymia sempre aberta a falar ainda que tome um caminho distinto. Dr. Pan e a Talia que faz relfexologia e massagem. O André e que aqui em Lima ainda fiquei amiga da Isabel que pegou meu contato e se ofereceu para me acompanhar até a embaixada. Agora me liga para me convidar para almoçar com o Chamtrul Rinpoche na sexta.

 

Eu desejo do fundo do meu coração que ela parta para Suiça porque não é em transito que encontramos respostas. Nem parada. É na profunda busca de estar presente dentro de nós mesmos. É de termos consciência dos nossos limites.  Confesso que eu escorreguei.  Fiquei tocada pela sua solidão. Pela sua doença que deve ser esquizofrenia.  Por um egoísmo tao latente que não se da conta do tanto que se machuca, do tanto que machuca os outros.

 

Agradeço a todos vocês que são parte da minha vida. Sei que quase sempre minhas mensagens são coletivas mas o sentimento é verdadeiro. Com o milagre do sono, da comida, da meditação, da yoga, acunputura, relfexologia e o amor de todos você eu só escorreguei não caí no fundo do poço.

 

Obrigada.

ps:Conto a Talia que diz que a Leila é meu Anjo. Na mesma hora recebo uma mensagem da Joss. Vivimaos as 3. Joss me conta que chorou muito pensando em Leila e que queria me ver. Joss não é uma pessoa de falar. Meus olhos inundam de emoção. Talia quando conto enquanto ela toca meu pé ela tem certeza que toda minha proteção vem do meu Anjo Leila.

Organizando a casa Interna

Quando muitos dias se passam e eu não escrevo muitas coisas acontecem. E quanto mais dia adiado mais histórias não contadas. Nem sei por onde começar. Talvez pelas palavras da Monja Coen que diz que a raiva é natural e que quando ela vem devemos observar. Engraçado porque para mim em qualquer momento que vejo uma injustiça acorda em mim o pior. Monja Coen fala do comum pensamento budista de que tudo na vida é impermanente e naturalmente essa braveza que é acordada muitas vezes vem de você estar estagnada ainda em algo do passado.

Hoje eu acordei com a notícia da politica no Brasil que naturalmente não tem nada de positivo a se pensar a respeito. Ponderei quão útil seria para mim ler tantas noticias vindo do Brasil de profunda braveza. Post feministas tão assustadores como os posts machistas. De cara me dá vontade de gritar e dizer que somos seres humanos. E claro meu coração se acelera mas nem digo nada penso que é bobagem dizer.

Quando ouço hoje Monja Coen falando me lembro que aqui em Lima tudo transcorre em paz. A raiva me visita pelo facebook e em todo lugar que como orgânico que é permeado de estrangeiros. Mas mesmo sem ouvir a Monja Coen simplesmente mudei de lugar nem quis entrar em historias de terrorismo de muçulmano de alguém que nunca foi ao Oriente Médio. Saí de perto. E para minha surpresa quem estava defendendo os muçulmanos era um senhor americano. Quem estava agora falando mal dos muçulmanos eram homens viajantes que sei lá de onde são. Me percebi estagnada no meu trauma de ter morado em NY em 2001 e ter vistos duas guerras injustas. Irônico, hoje esse senhor que já viveu muitos anos tentava deixar os jovens mais ponderados. Inacreditável que eu saí de perto. Fui conversar com o moço do café que já se tornou meu amigo.
 
Nesse café conheci outro senhor que é Espanhol que morou em muitos países e então quando ele me disse que quando volta para Espanha ele realmente se sente de fora. E eu ri e disse que sentia o mesmo me sentia de fora no Brasil no Brasil. Ponderei e me dei conta que aqui sou de fora e isso é normal mas quando você se sente de fora no pais que nasceu existe uma certa forma de violência maior. Como se todos achassem que o faz por arrogância, ou elitismoe claro quando está fora é melhor acolhida. Sou de fora, tudo bem, não tenho que me justificar. Enfim, com esse senhor Espanhol percebi o que sempre sinto: “que me sinto muito bem fora do Brasil e não tenho nenhuma vontade de voltar ao Brasil.

Todo domingo vamos a feira orgânica e dessa vez conheci um casal de pessoas bem mais velhas que eu e Andre e somos convidados para ir a exposição do Carlos C. Aubain. Passei um tempão conversando com a esposa que era interessantíssima e me convidou para ir a sua casa. Somos vizinhas e para minha surpresa quando entro no site de Carlos descubro que ele não é apenas um senhor que pinta. Ele é talentosíssimo. Ele nasceu na Argentina e começou a pintar com 8 anos . Já ganhou prêmios no começo dos anos 70. Partiram da Argenina em 75, provavelmente por causa da ditadura. Morou na Califonia e meio que expõe nesses três países. Sem duvida iremos nesta sexta.  

http://aubainartgalleries.com/biography.html
 
Um lugar vai se tornando casa quando vai encontrando essas pessoas certas. Katia da feira que me indicou tudo. E passei a comer no Germinando Vida. Comida Vegan, pessoas incríveis que já se tornaram meus amigos. Já até organizamos de fazer yoga juntas na terça quando o restaurante está fechado. Milusca, que é a dona, me explicou que está aprisionada de um lado um médico alopático demais. E do outro um natural demais e não é que sou eu a de fora que conto do médico que encontrei.

O acaso da vida me fez cair nas mãos de Dr. Pan. Fui meio sem saber mas ele me atendeu e fez uma leitura dos meus olhos. Um homem mais velho, e de poucas palavras, eu nem disse nada e de cara ele me diz vc tem um problema de inflamação de veias e de ficar nervosa facilmente. Contei que ele estava certo eu tinha vasculite e que fazia 6 meses que tomava 40 mg de cortisona e que estava tirando. E então ele me diz “não se pode tirar.” Concordo e digo a ele que estou diminuindo. Ele não tenta me empurrar mil coisas. Diz que acupuntura e refleoxologia era suficiente. Eu insisto e ervas? E massagem? Não é necessário de tanto eu insistir me da um cha e fico radiante. Marco de ir duas vezes por semana. Fico ainda mais impressionada na acupuntura. 

Na Asia tinham me explicado que quem coloca muita agulha não sabe oque esta fazendo. Ele colocou pouquíssimas. Na minha cabeça, no meu pé.

Voltei ontem e senhor Pan me surpreende mais quando vejo que ele dá ervas para outros. Cada um tem um tratamento diferente. Faço a relfexologia e de cara a menina que aperta meu pé me diz que eu estou com nervosismo contido. Um ponto meu dói, tão estranho, e ela fala de circulação. Do homem do lado a outra fala de lombar. Quando esse homem partiu converso com a Talia que me conta que tratou da sua avó. E que estudou reabilitação. Contou sua vida. Como era trabalhar de vendedora com 17. Da saudade que sentia da sua avó que já tinha partido. E que ali ela estava no trabalho certo. Eu fico emocionada. Jovem e me diz “quanta energia presa no seu corpo. Seja qual for a sua preocupação esqueça. De repente chega o Dr. Pan.
 
Sendo eu digo olá e ele visivelmente tem muitos clientes pede para eu soletrar o nome. Busca seu papel com meu nome. Confirmo ele olha o que ele escreveu em Chines e me diz que vai fazer Acupuntura e um outro tratamento que é meio Mocha mas diferente. Diz que pareço estar comendo melhor mas que ainda parece para ele que como pouco. Concordo com as duas coisas. E o abraço porque este realmente era o médico que eu queria. Poucas palavras. Calmo. Asiático. Mais velho.


 
Digo que quero vir todos os dias e ele diz que isso é exagero. Sugiro 3 dias. E ele me diz que se puder é melhor. No entanto, ele nunca tenta enfiar mil coisas. Sua clinica tem massagem, tem tudo. E ele realmente é um homem especifico sobre a realidade das coisas. Na hora de partir pedi para tirar uma foto com ele. Mostrei a ele a foto da minha avo comigo. Minha avó de blusa Chinesa, calça Thai. E Eu de lenço do Laos e Blusa da Thailandia. Ele olha e diz… vc está ficando parecida com sua avó. Fiquei feliz.

Dos mistérios da vida descubro por acaso que Chamtrul Rinpoche viria ao Peru. Escrevo para minha amiga Denise que conheci na frente de SS Dalai Lama e me levou a Karmapa e tantas outras coisas budistas. E não é que no milagre das coisas a internet funciona do seu WhatsApp e ela está no Tibet. Ela o conhece. Eu o escrevo e hoje ele da uma palestra na embaixada da India.


. Sinto-me verdadeiramente abençoada. Deixo vocês com as sabias e curtas palavras da grande Monja Coen. 


Com amor, Ju

O Tao que muitos não compreendem mas que eu peço ajuda da sua fé e se nao há tem só o seu respeito. 


Querido amigos,

Primeiro eu no meu eterno contar peço de cara que se você já experienciou isso e tem uma opinião oposta não me conte porque eu não to conseguindo dar conta. Não, não é uma questão politica, nem cultural nem religiosa. É a cortisona que estou tomando e a vasculite que carrego.

 
Muitos de vocês sabem que eu tive um AVC que acabou finalmente mostrando ao mundo que tenho vasculite cerebral. Vasculite Cerebral é uma doença auto imune. De cara me mandaram tomar um imunossupressor e eu recusei depois tomei, e recusei e resolvi ficar so com a Cortisona e fui para Asia.

 
Quando estava por lá encontrei com o Pancho que é um senhor americano quem mora na Asia há mais de 30 anos. De cara ele me contou que ele foi me procurar em 2013 para dizer que sentia que eu tinha fadiga Adrenal. Eu dessa vez, disse, pancho quase morri em 2013 mas to bem e estou tomando cortisona.


De cara ele me deu uma aula da qual não ouvi por dentro. Falou do fato crucial que tomando cortisona meu sistema de produzir cortisol estava parado. Parti e disse que aceitava o que tinha e ele me disse que o caminho é de evolução e que eu estava apática. Não liguei muito.


Sei que começaram entrar em mim desgates emocionais, nervosismos, desejo de sal, de açúcar, um sono que tomava meu dia, e um acordar pela noite. E a parte mais assustadora foi o encontrar então o desejo frequente de morte. Sei que eu aqui em Lima sozinha me veio a cabeça o cansaço, a fadiga e veio o Pancho e eu tao acordada numa noite fui ler tudo de Fadiga da Adrenal e caia em quase tudo daquela descrição.
Fui ler sobre a Cortisona e vi que um dos seus efeitos colaterais era o Glaucoma. Fazia dias que meu olho estava pesado. Entao decidi que ia parar de tomar. Primeiro não ia contar a ninguém. Entrei na net e de cara soube que não produzo cortisol entao tinha que fazer de maneira equilibrada e aos poucos.

 
Contei ao André e a minha mae e a minha avó. E debati conto ou não conto para Dra Euthimia e Karen. Claro que contei. Comecei ontem a redução. Sabendo que tenho vasculite e que ela pode deflagrar de novo com consequências muito graves. No entanto, na cortisona não consigo bancar. Dra. Euthymia é um presente do universo falou comigo ontem e ficou claro preciso re-estruturar a maneira de dormir das 11 as 7. É claro ela tem verdadeiras preocupações e tenta. Trazer de alguma forma para mim uma maneira de pensar como uma médica.

 
A partir de ontem reduzi o remédio 5 gramas. Ou seja estou tomando 35 gramas. Dormi apenas meia hora pela tarde e fui dormir as 9 e claro acordei as 1,20 mas voltei a dormir 1,30 ate as 6 da manha. Devo ter dormido mesmo 9 horas o que está ótimo.

 

Voltei a busca do Yoga. E hoje e ontem pratiquei sozinha em casa. Pratiquei meditação. Andei e tive sim oscilações de emoção. Mas consegui observa-las mais de fora.

Conto tudo isso simplesmente porque escrever me faz bem, contar a verdade da dificuldade que é um caminho também me faz. Fico extremamente feliz de estar em Lima.

Claro, que meus pais queriam que eu voltasse ao Brsail mas estar num lugar calmo onde não tenho obrigações e nem ninguém que apareça na minha casa é maravilhoso. Quase parece um retiro.

Vi que o Mujica diz que precisamos priorizar viver.


Vi que o Papa Francisco disse “ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma.”


Vi monja Coen falando que uma criança se machuca e sozinha se cura e vai brinanco e nós vamos criando carapaças para sentir a dor e nos prendermos a ela. Ficarmos nas nossas doenças , nossos sofrimentos.

Dalai Lama diz da importância que é desenvolver a paz interna que não pode ser comprada num supermercado. Budismo ensina ter uma experiência realista da vida. A vida é sofrimento. Se Existe um problema, temos que tentar entende-lo. Uma vez que conseguimos entender um certo problema. Isto não atrapalha mais a nossa mente.

Então é isso que estou tentando fazer. Entender a origem da minha doença auto-imune. Fiz uma decisão que não vem sem medos, mas vem sem dúvidas. Não é feita pelo caminho do risco total de simplesmente jogar a cortisona fora depois de 5 meses tomando diariamente tomando 40mg além de infusões. Estou tentando tira-la leio muito a respeito e pedi ajuda a todos. A ajuda não é ninguém vir para cá. É o oposto é entender que me deixa em conforto estar num lugar pacifico , parece um  retiro maravilhoso.

Peço sua oração, e o seu respeito pela minha busca de cura pelo caminho de outra estrada. Entendo todos que querem tomar o caminho profundamente alopático. Eu entendo isso mas eu não o quero.

Hoje quando meu coração palpita, quando vejo mal, quando fico confusa não sei se é consequência do remédio ou da vasculite. Prefiro saber a origem. E apenas eliminando a cortisona é que saberei que o que virá é de mim mesma. Então escolho mudar minha alimentação, fazer meditação, yoga.


Sei que todos nos vamos morrer um dia. Sei que posso ficar paralisada sem tomar o remédio. Mas também meu corpo pode se confundir muito por tantos remédios jogados nele que tbm posso ficar paralisada. Sei dos riscos. Não o faço porque acho que sou heroína.

O faço porque quero evoluir como disse o Pancho e sei que nesse caminho que estou eu acabo por me jogar pela janela. E isso eu não quero faze-lo. Eu quero aceitar a minha vida como ela é. E buscar os caminhos da cura dentro de mim.
E do fundo da minha humildade peço sua ajuda por reza. Pois eu confio nelas. Ninguem nuncas imaginou que eu sobreviveria depois de 2013. Ninguem achava que era solido ir a Birmania mas me trouxe mais paz ir para lá e mais fé. Então o meu caminho é esse o da fé e o da busca do interno.

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https://descolonizandoamente.wordpress.com/

Aprendo um pouco de Quechuas e Peru em Barranco.

Hoje é domingo e tinha ficado marcado que viria aqui a Vilma para limpar. Naquele dia já tinha conhecido ela e Fernando seu filho de 10 anos. Acabaram de partir daqui. Mais de cinco horas de trabalho e conversas dos quais eu e o André nos sentíamos mal por ela fazer tanto. Eu tentava estimula-la a fazer menos, em vão.

 

Íamos tentando fazer umas coisas para ajudar nao ajudou muito. Saímos daqui para almoçar tarde no lugar orgânico e convencidos que não estariam mais aqui na volta. 

Deixamos dinheiro, falamos que podiam comer o que queriam mas quando voltamos ela tinha lavado, secado e passado as roupas. Organizado a casa. Feito de um tudo. Uma limpeza de uma sujeira que deve ser da idade da casa.

 

Quando chegaram antes do nosso almoço contei ao Fernando que tínhamos uma surpresa para ele. Demos o lego que eu tinha comprado para o André e ele ficou encantado. Depois sentaram os dois montando e o Fernando lê o manual atentamente. Andre brinca com ele. 

E no final ele tira o seu saco de tesouro. Lá havia um outro lego e brincam mais. Quando fomos almoçar fora de cara o porteiro confirma a minha intuição “O Fernando não tem pai.” Eu tinha ficado impressionada pela sua atenção e pela amizade instantânea que se desenvolveu com o André.

 

Como ela está aqui na volta para nossa surpresa converso muito com ela que me conta que aquele canto do filme da peça que contei é Quechua. E ela e sua família também são. Conta que foi abandonada gravida e que partiu para essa cidade sem contar para ninguém que estava gravida. Ela e é de Puno. Trabalhou na casa de uma senhora de 90 anos até o bebe nascer. Volta para Puno e fica lá ate o Fernando ter 4 anos. Tem uma família que os acolhe. E me conta que a exploração dos trabalhadores em Puno é maior por isso voltou para cá.

 

Eu conto que quase morri na Ásia em 2013 e que tinha tido um AVC mas que nao tinha medo de morte mas tinha de semi-vida. Ela me conta que não tinha e me conta que num único ano quando ela tinha 13 perdeu dois irmãos. Um que pediu a ela caramelos e ela deu 4 e ele insistiu e naquele dia disse queria mais e disse um tchau de alguém que não volta. Não voltou. Morreu afogado num rio aos 15. 
Seu outro irmão morreu numa mina. Uma pedra desabou. Contei a ela que minha avó também tinha perdido um irmão num rio. Pode tudo parecer tenebroso mas falamos disso normalmente vida-morte como dizem os budistas.

 

Insisto para ela fazer menos coisas porque está ficando tarde para ela ir embora e já está mais limpo do que necessário. Conto para ela que tinha percebido que Fernando se sentia carente de pai. Ela me diz que a escola diz que ele não tem que ir no dia dos pais. E ela diz para ele ir porque um dia ela vai ser pai. Ela pede para ele cuidar das plantas como se fossem filhos. E ele não se esquece de colocar a agua na quarta feira.

 

Fernando me agradece tudo que eu dou. Chocolate, Laranja, Chá. Não pede nada. Semana que vem perguntei se ele não quer ir comigo na feira das flores para comprar vasos porque está faltando aqui. De Fernando ela não se separa. Não teve novos namorados. Sua atenção é para seu filho e a dele é calada e doce para tudo que ele toca. E claro que na feira pode e quer ir no domingo que vem.


Esse feriado era o dia do Peru. Andamos todos os dias e o sol se apresentou. As casas são tao coloridas nesse bairro que eu escolhi pela internet.




 Uma cidade plana. No centro tem um lugar de escadas em direção ao mar. E as noites são populadas de musica e barres e cafés. Há bandeiras do Peru por todos os lados. É lei. Nesse tal dia se não colocar a sua bandeira é multado. Tem quem ache que o nacionalismo venha de uma grande luta pela independência. Já as leis parecem mais claras.

Tudo que vi nesse festival foi bonito. Todas essas cores me inundam de felicidade. No entanto, o que mais me tocou foi conhecer a Vilma tão melhor. O que mais me tocou foi ele dizer

 

“Sofrer é um luxo que nunca pude me permitir. Cai e levantei e continuei caminhando. Fiquei feliz de te conhecer”

Ouagadougou- Descolonizando a Mente.


Cheguei em Nova York alguns dias antes de 11 de setembro. Na minha natural vontade de falar com todas as pessoas logo de cara eu já era amiga de pessoas do mundo todo. Muitos deles eram do mundo muçulmano então quando caíram as torres em vez de desejar a morte de todos os muçulmanos eu me perguntava o por que aquilo tinha se passado.

 

Lembro-me bem que fazia um belo dia, da minha amiga Caroline Suíça que vinha me contar do evento. Ela apavorada que seu pai que trabalhava para Unesco. Lembro de dizer que aquilo era provavelmente uma historia mal contada e de ver ao seu lado na televisão a segunda torre ser atacada. Lembro de apesar ter 19 anos dizer para ela. Não se preocupe, seu pai é muito importante para estar lá essa hora.

 Eu que fui para estudar cinema graças ao Felipe Gamarano Barbosa, mas  sai bem rápido de interesse em cinema para me dividir pelo meu encanto pela musica e pela politica do Oriente Medio. Como nos Estados Unidos você meio que tem liberdade e obrigação de pegar aula de muitas áreas.  E assim cai na aula descolonizando a mente. Ensinada por Mustapha que considero até hoje o meu melhor professor, o homem que mais tinha mais capacidade de transformar o outro que já conheci. Aquele que sempre dava ao outro a capacidade de mudar sozinho.


 

Das ironias vida foi graças a Jocelyne que conheci o Mustapha. Jocelyne é americana e seu pai diplomata e quando seu pai foi transferido para Burkina Faso ela ficou numa escola interna fora de Burkina Faso pois os EUA não recomendavam levar crianças para esse lado. Mustapha Masrour é meu amigo até hoje e Mustapha é Marroquino.

 

A vida é tao bela e complexa que eu cheguei num pais que se inunda de guerras ilegais e absurdas e eu  acabo me tornando amiga de Leila Alaoui. Morávamos as 3. Leila, Jocelyne e eu. Pela Jocelyne eu e Leila fomos parar na aula do Mustapha. E o tempo continuou.

 

Quanto mais eu me interessava pela ciência e pela politica, pela filosofia, antropologia, historia mais eu ia me convertendo num ateísmo fundamentalista.  Quando ia ao Brasil até queria convencer minha avó a ler os livros ateus. Ela os lia e dizia “tem tantas cores não precisamos gostar da mesma. Tudo bem de você ser ateia e de eu acreditar em deus.”


Esse longo post é para explicar porque faço agora uma página no facebook do meu blog que se chama descolonizando a mente. Sei que por eu ter chegado num principio de guerra, de ter visto o que se passa em tantos países onde houve lutas. O valor pela luta se desfez em mim. Associou-se a destruição, estimulo de ego e uma perda enorme há muitos.

Eu sempre escrevia e-mails coletivos e a lista foi ficando tão grande, e as pessoas me pediam para mandar o que tinha visto quando fiquei na casa de palestinos, de indianos, e da kashemira, na Ásia que coloquei muito em dois blogs.






Tenho em inglês, e em português. Do meu celular não conseguia mandar sempre nas listas, mas conseguia tag, e do Peru nem isso consigo. Então resolvi criar essa pagina onde os colocarei. Fiquei muito impressionada de saber que tantas pessoas me liam. E grata. 

Sinto que precisava explicar o porque o do descolonizando a mente. E isto tem a ver a cada dia com mais coisas. O nome é pelo Mustapha. Quem me levou a ele foi a Jocelyne e ela me levou também aos Tibetanos.

Leila Alaoui foi morta em Burkina Faso nesse janeiro. Leila é minha amiga. Seus atos vão muito além do que está escrito nas mil matérias de jornal. Leila assim como a Jocelyne não via diferença entre as pessoas. Não sei quanto disso já veio de antes mas sei que muito disso vem de uma solidão que nos três sentíamos, da tristeza que foi para nós três vermos guerras se darem, destruições de culturas, famílias, de sonhos.
 
Sei que Burkina Faso, ou mais especificamente Ouagadougou também é uma coisa que nos liga as 3. Jocelyne ainda criança foi afastada de sua família quando seus pais moravam lá, Leila foi tirada com 33 anos dessa de lá quando tentava defender os direitos das mulheres pelas suas belas fotografias, e de mim também é um segredo vergonhoso. Era a senha de um e-mail mais secreto do que tantos outros. Era Ouagadougou. Era a senha de tudo que era conta falha que eu tinha criado e que já desfiz. Como poderia eu escrever mais uma vez Ouagadougou no mundo do segredo?

Esse post é para explicar que o ato mais de tentar me descolonizar é confessar isso. Reconhecer a falha é mais fácil do que aceitar o mistério de Ouagadougou. Sei que pelas mãos de Leila, Joce, Mustapha e eu estão as crenças e culturas de África, Américas, Ásia e Europa.  Nesse caminho se desfez qualquer fundamentalismo. E aumentou a minha admiração pela mente e pelo mundo metafisico.


 

 

 

 

Os preços baixos pago pela desvalorização dos trabalhadores e já o meu casaco de Alpacas …

Estou de volta no sofá café o lugar que adoro e tomo café diariamente. Hoje acordei morrendo de frio e enrolei e coloquei um monte de blusas embaixo de um vestido. Lenços e meia e vim tomar café bem mais tarde que o André foi trabalhar.

Na hora, que fui pagar perguntei se a gorjeta é incluída , já que no outro lugar me pediram e quase em todos os outros o André que pagou. E eu tinha pago achando que estava incluída. Não é.

Quando eu cheguei aqui e já do meu lado “elitistinha”de acordo o André já quis ficar amiga do porteiro e dar o tapete que ele nem tem coragem de dar ou jogar fora.


Eu sugiro perguntar. E tbm dar uns tipo lustre que por comprar pela net vieram uns 10 e só precisamos de 1. É claro, ainda elistinha fui procurar uma moça para limpar esse micro apto.

André diz que aqui é quase escravidão . Preços de coisas de empresas é o mesmo preço que no Brasil. O estado quase inexistente portanto podem construir como querem. O novo governo da uns “tais” avanços mas os trabalhadores peruanos obviamente são os que pagam tudo por não receberem quase nada.

O André me diz que a moça que trabalha na casa do seu amigo cobra 50 soles, ou seja 50 reais. E ele diz que é muito pouco. Concordo. E decidimos que apesar do nosso apto ser micro pagamos 70.

Quando pergunto do tapete e levo ao porteiro ele fica tão encantado que me liga para dizer algo que não entendo. Desço e ele me agradece e diz que adoraram o tapete e a luz.
Ele arruma a senhora da limpeza que me pergunta o que quero que ela faça e eu digo que só precisa limpar. Pergunto quanto ela cobra e ela diz 50.

Não queria inflacionar de todos então digo. ” Tenho uma ideia se a senhora dobrar e guardar as roupas do André te pagamos 70″. Ela fica radiante e eu também mesmo porque somos desorganizados.

Então quando pergunto aqui no café da gorjeta e eles me contam que não é obrigado, então  eu deixo gorjeta e saio para procurar meu casaco. Vou andando e já ouço meu nome. Claro, já esqueci meu telefone no sofá café. Agradeço e me pergunto o que será que faz nossa realidade? As nossas ações ?
Ou são simplesmente diferença de cultura? E sem duvida eu tenho que parar de deixar coisas para trás ? No entanto, ganhei novos amigos por isso.

Minha mãe me diz para comprar um casaco de esporte mas no fundo esses eu nunca usaria e quando chego no shopping de Mira flores eu vou de loja em loja e de repente entro numa linda .

Cara como qualquer loja boa em São Paulo e colorida como qualquer loja asiática e me apaixono por um casaco de alpaca de mistura de preto com roxo, vermelho, azul e quando o visto tenho até medo do preço. Tudo nessa loja é lindo.

De tanto que eu hesitei e fiquei vestindo o tal casaco que fico até morrendo de calor. A vendedora explica que a alpaca  mantém a temperatura do corpo. Nem sei o preço mas sei que eu o adoro pelas cores, pelo calor, pela qualidade, pela maciez , por ser tão único e confortável. E por saber que a Alpaca é a base da indústria Andina. No cartãozinho colado ao casaco fala dos Incas, da criatividade dessa indústria de como hoje essa fibra tem um papel tão fundamental, fala até da alta variedade de cores cromaticas nesse tecido que diz ser a maior no mundo. Nem sei se é verdade, mas sei que vem dos Andes. E sei que amo montanhas.

Compro e volto andando. Faço economias de não tomar Uber ou taxi para pelo menos sentir que economizei em algo. Vou me perdendo um pouco mas vendo mais a cidade e de repente quem está do meu lado?

O sofá café 🙂 entro e digo a moça que to morrendo de calor de tanto andar, que sem meu cel que ela tinha me devolvido eu tinha ido a pé até a Bolívia mas fazias poucos minutos que tinha lembrado do mapa.

O que deveria tomar? Pergunto a moça do sofá café e ela me faz uma sugestão e aqui estou eu sentada na cadeira roxa e tomando um suco de mistura de frutas vermelhas e ervas verdadeiramente delicioso.



E nesse final de semana pelas confusões do visto do André vamos até a Bolívia 🙂 eu sabia que tínhamos um feriado e que eu ia passar frio para qualquer lugar que fosse. Agora tenho certeza que com essa bela alpaca posso até passar calor 🙂 De qualquer maneira, meu amigo Gabriel que é Peruano e estudou comigo na London School of Economics está aqui.  Acaba de ter um filho e me convida para ir lá agora….. então lá vou eu de volta para Mira flores e dessa vez, ja tirei os casacos inúteis e já coloquei meu lindo novo casaco.